Agressões foram fator decisivo para morte da menina Gabrielly

Inquérito com 250 páginas foi concluído recentemente.

Delegada Ariene Murad durante coletiva de imprensa - - Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado

As agressões sofridas pela menina Gabrielly Ximenes de Souza, com 10 anos à época, desencadearam a morte dela. A menina foi espancada por duas adolescentes na porta da escola em que estudava em dezembro do ano passado, no bairro Nova Lima, em Campo Grande. O inquérito sobre o caso foi concluído e as informações divulgadas nesta segunda-feira (25).

Conforme a delegada responsável pelo caso, Ariene Murad, da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), Gabrielly tinha Imunodeficiência Primária (IDP) no quadril. Trata-se de uma doença que afeta o sistema imunológico e torna o paciente mais vulnerável a infecções graves.  A doença é de difícil diagnóstico e não apresenta sintomas. 

Os socos, chutes e até golpes de mochila sofridos pela menina durante o espancamento fizeram com que o quadro de saúde dela se agravasse. Ela morreu de tromboembolia pulmonar (TEP). “O trauma foi uma das causas da morte”, declarou a delegada, alertando que não foi a causa exclusiva. 

O inquérito sobre o caso tem 250 páginas e demorou mais de dois meses para ser concluído. Além do laudo com a conclusão da causa da morte, ficou concluído que não houve negligência médica neste caso. As agressoras devem responder por ato infracional análogo a lesão e não homicídio. Isto porque, segundo a delegada, não sabiam da condição de saúde da menina.

Ariene disse ainda que, o caso será encaminhado para o  juizado da infância e adolescência. O juiz deve decidir se as agressoras vão para uma unidade de internação, prestarão serviços comunitários ou ficarão em liberdade assistida.

ENTENDA O CASO

Gabrielly teria sido agredida por duas colegas na porta da Escola Estadual Lino Villachá, no Nova Lima, região norte, uma semana antes de morrer. Em seguida ela foi levada passando de Upa em Upa até parar na Santa Casa, onde sofreu várias paradas cardíacas.

Levada à Santa Casa naquela quinta-feira, Gabrielly ficou em observação e recebeu alta,

mesmo reclamando de constantes dores nas pernas e virilha.

Como as dores não passaram, Gabrielly foi levada dias depois até à Unidade de Pronto Atendimento do Coronel Antonino, onde recebeu uma dosagem de dipirona, na tentativa médica de suavizar os sintomas.

No dia seguinte, ela foi encaminhada à Central de Especialidades Médicas da prefeitura. Já dizia não sentir as pernas e tinha dificuldades em andar. Teve então os membros imobilizados com uma tala, mas sem a realização de exames detalhados.

Sem nova melhora, Gabrielly voltou à Santa Casa no dia 3 de dezembro, onde morreu.