Com disputa política, 70 crianças da Nova Tereré estudam em salas improvisadas num barracão

Neste ano, extensão da Escola Cacique Armando Gabriel se transferiu para galpão construído na Aldeia Nova Tereré.

Fotografias da extensão foram mostradas na rede social do vereador Waldemar Acosta, que aproveitou o material enviado por mães de alunos. - Foto: Reprodução/Facebook

Desde o ano passado aproximadamente 70 crianças da etnia terena estão estudando em turmas multisseriadas em três salas improvisadas, divididas apenas por cortinas improvisadas de tactel. Neste ano a extensão da Escola Cacique Armando Gabriel (sediada na Aldeia Córrego do Meio), que em 2018 funcionou nas dependências de uma igreja evangélica, se transferiu para um galpão construído na Aldeia Nova Tereré, coberto de eternit, parcialmente cercado folhas de buriti e palmeira muito comum, especialmente na Reserva Indígena Buriti.

Esta estrutura educacional precária funciona a menos de 600 metros da Escola Municipal Cacique João Batista Figueiredo, construída em 2015 na Aldeia Tereré, que é vizinha a Nova Tereré, onde foi feito um mutirão para colocar azulejos decorativos inspirados na cerâmica terena. O próprio vereador Otacir Figueiredo, que é terena, reconhece que não haveria dificuldade em acomodar todas as crianças em idade escolar da comunidade indígena na escola.

Embora não concorde com a decisão dos seus patrícios, vizinhos da nova aldeia (implantada quando seu irmão, Valcélio, era cacique), respeita a decisão deles de ter uma escola específica. “Essa escola da Tereré, bonita, com toda estrutura, foi resultado de 20 anos de luta. Eu mesmo estudei no antigo centro comunitário, onde a escola funcionava, junto da churrasqueira”, lembra.

O pano de fundo destas dificuldades enfrentadas pelos alunos são divergências de lideranças da comunidade que fazem oposição ao vereador Gringo, como é conhecido. Os líderes da Nova Tereré teriam estimulado os pais a tirarem os filhos da Escola João Batista Figueiredo (onde também há crianças brancas) porque não conseguiram a contratação de professores e moradores da comunidade para atuarem na parte administrativa e manutenção da escola da Aldeia Tereré. Pressionaram e a Prefeitura acabou autorizando a implantação de uma extensão com aproveitamento de moradores da nova aldeia para atuarem como funcionários.

O cacique da Nova Tereré, Mateus se mantém arredio a entrevistas, não autorizou a reportagem de fazer fotos da escola improvisada. Fotografias da extensão foram mostradas na rede social do vereador Waldemar Acosta, que aproveitou o material enviado por mães de alunos. Ele garante que a intenção da comunidade é ter uma escola que valoriza a cultura e a língua terena embora na Escola João Batista Figueiredo, praticamente todos os professores são terena.