Advogado diz que irmã e mãe da vítima podem inocentar Hugleice da morte de Marielly

A sentença de pronúncia que decretou a prisão preventiva e levará o réu a júri foi dada na última sexta-feira (8) pelo juiz Fernando Moreira da Silva.

Advogado José Roberto Rodrigues da Rosa - Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado

Segundo o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, que atua na defesa de Hugleice da Silva, que vai a julgamento em júri popular porque teria contratado o aborto malsucedido que resultou na morte da cunhada Marielly Barbosa, a mãe e a irmã da vítima o procuraram na sexta-feira. Elas estariam dispostas a prestar um novo depoimento, admitindo participação no caso e inocentando Hugleice que teria assumido toda a culpa para preservar a família. O corpo da vítima foi encontrado num canavial na zona rural de Sidrolândia, em agosto de 2011.

A sentença de pronúncia que decretou a prisão preventiva e levará o réu a júri foi dada na última sexta-feira (8) pelo juiz Fernando Moreira da Silva, da Vara Criminal de Sidrolândia. A data do julgamento ainda não foi marcada.

Para Rosa, o pedido de prisão preventiva de Hugleice é equivocado, uma vez que o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes, que realizou o procedimento de aborto, aguarda o julgamento pelo crime em liberdade. “É uma decisão absurda. Vai prendê-lo por causa da repercussão do caso. O juiz quer holofotes”, defendeu o advogado, que entrará nesta tarde com pedido de habeas corpus.

Crime prescrito - Hugleice responde na Justiça pelos crimes de instigação ao aborto com resultado em morte e ocultação de cadáver.

Mesmo se for condenado, Hugleice responderá pelo crime em regime aberto, já que a ocultação de cadáver já prescreveu e o de instigação ao aborto, com pena de até quatro anos, prevê o cumprimento em regime aberto.

Tentativa de feminicídio - O réu está preso em Rondonópolis, no Mato Grosso, depois de esfaquear a esposa Mayara Barbosa – irmã mais velha de Marielly. O crime ocorreu no dia 18 de novembro na cidade mato-grossense, após o suspeito encontrar mensagens de Mayara com um vizinho, que insinuava um relacionamento extraconjugal entre os dois. Depois do crime, Hugleice fugiu para Ponta Porã.

No dia 23 de novembro o suspeito foi preso pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) no quilômetro 267, da BR-163, quando chegava em Dourados. O advogado entrou com pedido de habeas corpus e acredita que em um prazo de até 60 dias o réu seja colocado em liberdade.

Mayara foi atingida por uma facada no pescoço e levou mais de 40 pontos.

Caso Marielly - Em 2011, Hugleice ficou conhecido em Mato Grosso do Sul por ter levado a cunhada Marielly para fazer um aborto em Sidrolândia, que terminou em morte.

Na época, ele juntamente com o enfermeiro que fez o procedimento desovaram o corpo da jovem em um canavial. Hugleice ainda ajudou nas buscas pela moça considerada inicialmente desaparecida.