Desesperada, mãe de pré-adolescente, teme perder o filho para as drogas e o crime

'Dá próxima vez vou preferir deixar ele na delegacia, pelo menos lá, ele não corre risco de ser morto', desabafa a mãe.

Celular furtado pelo pré-adolescente nas proximidades do Catarina - Foto: Divulgação/PM

Nos últimos meses tem se registrado uma onda de furtos, roubos e até assaltos praticados por pré-adolescentes e adolescentes em Sidrolândia. Na sua maioria são usuários de drogas, abandonaram a escola e perambulam pelas ruas e os pais perderam o controle e a autoridade sobre eles.

Embora protegidos pelo anonimato assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbe a divulgação de qualquer informação que possa levar a identificação dos infratores por parte da opinião pública, são personagens conhecidos das autoridades policiais e do Judiciário. Aqueles reincidentes e de mais idade, a Justiça leva para a unidade de internação em Campo Grande, para cumprir a chamada medida socioeducativa.

Na semana passada um deles, após três apreensões, uma delas motivada pelo arrombamento de uma conveniência de onde furtou R$ 1.200,00, foi levado para uma Unidade de Internação na Capital. A Justiça quer garantir de forma compulsória que ele seja internado numa clínica para tentar livrá-lo das drogas. O tratamento seria custeado pelo município.

A mãe de um destes adolescentes, aliás pré-adolescente já que tem 13 anos, convive há pelo menos dois anos com o drama de ter um filho que não para casa, circula em grupo pela cidade, sempre à espera da oportunidade de praticar um furto, via de regra para comprar droga.

“Dá próxima vez vou preferir deixar ele na delegacia, pelo menos lá, ele não corre risco de ser morto”, desabafa, que no sábado, estava esperando atendimento na UPA, quando foi avisada de que teria de comparecer à delegacia. Seu filho de 13 anos, tinha sido apreendido com outro colega da mesma idade, porque furtaram o celular de Renata Gomes, quando ela passava perto da Escola Catarina de Abreu. “Não consigo entender. Me sacrifiquei, mesmo não podendo, comprei um celular que ele queria (modelo 4G). Tirei a prestação um tênis de R$ 450,00, que ele próprio escolheu”.

Separada do marido, ela é mãe de outros dois filhos, um deles de 24 anos tem problemas psiquiátricos, ela sobrevive do recebimento do LOAS e de dois programas de transferência de renda (bolsa família e vale-renda). “Não sei o que fazer. Ele some de casa o dia inteiro, tenho que sair pela cidade a procura dele. Hoje (domingo) não sei onde está. Meu medo é que qualquer hora a Polícia bata na minha porta e diga que meu filho está morto”.

Na semana passada, por exemplo, uma guarnição da Polícia esteve na casa dela a procura de uma cortadeira de grama que havia sido furtada por menores que arrombaram uma casa na Rua Paraná. O filho foi levado para delegacia, mas as imagens da câmera de segurança, mostraram que neste caso, ele era inocente. 

Ela reclama que há dois anos, quando ameaçou dar umas palmadas no filho, porque ele havia batido em colegas e acabou expulso da Escola Municipal Olinda Brito, foi denunciada ao Conselho Tutelar e o menino acabou sendo levado para uma casa abrigo. “Tiram a autoridade da gente. Não pode colocar o filho para lavar a louça, porque é proibido”, reclama. Nesta segunda-feira terá de volta à delegacia e se declara impotente diante da situação. “No dia 4 de abril ele tem consulta no psiquiatra, espero que ele receite alguma medicação”. 

Além do furto do celular perto da Escola Estadual Catarina de Abreu, que teve como um dos protagonistas o filho da entrevistada pela reportagem, dois adolescentes foram apreendidos ao serem surpreendidos quando tentavam levar o aparelho de som da Comunidade Católica Nossa Senhora das Graças, no Pé de Cedro.

*Matéria atualizada às 20h53 para acréscimo de informações.