Em Sidrolândia, seca reduz produtividade em 23,63% e agricultor deixa de faturar R$ 170 milhões

No âmbito estadual também houve perda de produtividade, de 59,18 para 48,11 sacas por hectare.

A perda foi em parte compensada porque a área plantada saltou de 216 para 231 mil hectares - Foto: Anderson Viegas/Interna: Agro Agência/Região News

Embora se mantenha como o segundo maior polo estadual de produção de soja na safra 2018/2019, Sidrolândia registrou queda de 23,63% na produtividade (de 65,38 sacas para 49,43 sacas por hectare), que resultou em redução de 18,22% na produção (de 848.094,61 toneladas em 2017/2018 para 693.506,85). A perda foi em parte compensada porque a área plantada saltou de 216 para 231 mil hectares. No âmbito estadual também houve perda de produtividade, de 59,18 para 48,11 sacas por hectare.

Em termos econômicos, tomando como referência a cotação de R$ 66,00, com a “quebra” decorrente da seca no período de desenvolvimento da planta, os agricultores deixarão de faturar mais de R$ 170 milhões, valor de mercado das 2,576 milhões de sacas que deixaram de ser colhidas pelo problema climático. De qualquer forma, a venda das 11.557.985,79 de sacas colhidas, resultaram num faturamento bruto de R$ 755 milhões.

Mantida a tendência dos últimos 8 anos, com sucessivos incrementos de área plantada que quase dobrou no período, saltou de 125.400 hectares em 2011 para mais 231 mil hectares, há boas chances da cidade em pouco tempo se aproximar e até ameaçar a liderança de Maracaju, que colheu 817 mil toneladas em 294 mil hectares, com menor produtividade que a sidrolandense (46,31 sacas/hectare). Em sete anos a área plantada de Sidrolândia cresceu 106 mil hectares, na cidade vizinha, só 21 mil hectares.

Além de preços internacionais bastante atraentes, o que tem empurrado a ampliação da área plantada em Sidrolândia é a incorporação de lotes da reforma agrária a produção de soja e milho. Muitos assentados, arrendaram a área de lavoura dos seus lotes para grandes produtores.

No Assentamento Vacaria, por exemplo, dos 48 lotes, pelo menos 44 estão com lavoura de soja. Na parceria, quem arrenda 15 hectares, garante um faturamento de R$ 9.900,00 com a soja, recebendo 10 sacas por hectare. Esta renda pode chegar ao longo do ano, R$ 13,2 mil com a safrinha de milho, R$ 1,1 mil por mês, rendimento que muitos complementam trabalhando nas fazendas vizinhas.

Alguns assentados, como Luiz Varela, comprou um trator e há três anos planta soja e milho nos 15 hectares do seu lote. Mesmo com a seca, conseguiu uma produtividade superior à média do município (53 sacas por hectare), colhendo 795 sacas. Mesmo com o custo alto de plantio (equivalente ao valor de 30 sacas de soja) a produção tem lhe garantido uma boa margem de rentabilidade. Ele também se dedica à produção do milho safrinha. “Produzir do leite não compensa, o lucro é praticamente zero”, avalia.

No Capão Bonito 2, o assentado Jorge Antônio Ferreira, que desde 1998 se dedica à produção de soja, obteve 54 sacas por hectares, acima da média estadual, mas inferior as 75 sacas obtidas na safra passada. Ele reclama das condições de escoamento da produção porque os travessões (de responsabilidade da Prefeitura) tem trechos intransitáveis e a estrada estadual (a Gameleira) precisa de uma melhor manutenção.

Estado

Os números finais da safra 2018/2019 mostraram que Mato Grosso do Sul registrou a colheita de 8,8 milhões de toneladas, com produtividade média de 48 sacas por hectare. Os dados compilados pela Aprosoja/MS – Associação dos Produtores de Soja de MS revelam uma queda de, aproximadamente 9%, no volume produzido em relação à temporada anterior.

Para o presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, o clima foi o fator que mais contribuiu para a redução da produção da oleaginosa. “É preciso ter em mente que a empresa do produtor rural é a céu aberto, totalmente suscetível às intempéries climáticas, por isso, a produtividade caiu 23%, impedindo um novo recorde histórico”.

No entanto, mesmo com a redução de produtividade desta safra, a produção quando comparada à temporada 2013/2014, cresceu 44% e a produtividade avançou mais de 3% no estado. Municípios como Alcinópolis, Coxim, Costa Rica, São Gabriel do Oeste, Laguna Carapã e Chapadão do Sul registraram médias acima de 60 sacas por hectare, o que influenciou positivamente no aumento da produtividade média do estado, que registrou 48 sacas por hectare.

Mauricio Saito destaca o perfil sustentável do produtor rural. “O crescimento é rápido e consciente. O agricultor é o maior interessado na preservação do meio ambiente e por isso, a expansão das áreas de agricultura se dá sob a conversão de áreas de pastagens degradadas. A adoção de tecnologias, a exemplo do plantio direto, faz com que o produtor garanta o desenvolvimento da sua atividade com qualidade e sustentabilidade”, ressalta.

Maracaju se manteve como o maior produtor de soja do estado, com uma área cultivada de 294,274 mil hectares, colheu nesta temporada 817,732 mil toneladas do grão.

Sidrolândia ficou com o segundo lugar na lista de maior produtor do grão em MS com 693,506 mil toneladas de soja. Um grupo de cinco municípios, foi responsável por mais de um terço, exatamente 35,13%, da produção sul-mato-grossense de soja. Além de Maracaju, que colheu 9,29% do total do estado, fazem parte do “top cinco”: Sidrolândia, com 693,506 mil toneladas (7,88%); Ponta Porã, com 621,548 mil toneladas (7,06%); Dourados, com 526,673 mil toneladas (5,98%) e São Gabriel do Oeste, com 432,535 mil toneladas (4,91%).