TRF suspende ação contra Puccinelli e cancela audiência com donos da JBS

O processo suspenso é sobre crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionados à concessão de benefícios fiscais.

André Puccinelli é carregado ao chegar em convenção do MDB em 2017, quando era pré-candidato ao governo. - Foto: André Bittar/Arquivo

Liminar do desembargador federal Paulo Fontes, do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), suspendeu ação penal da operação Lama Asfáltica contra o ex-governador André Puccinelli (MDB) e as audiências marcadas neste mês de abril, inclusive o depoimento dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, empresa da holding J&F.

A denúncia do MPF (Ministério Público Federal) contra 12 pessoas foi aceita pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande e o juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira agendou as audiências para ouvir as testemunhas a partir de 23 de abril. Os irmãos Batistas prestariam depoimento no próximo dia 30.

No pedido de habeas corpus, que teve liminar deferida, a defesa de Puccinelli Junior informa que entrou com um processo por exceção de incompetência do juízo. A ação chegou à Justiça Federal em 20 de setembro do ano passado. Conforme a defesa, a ação está parada desde 4 de outubro de 2018. O Campo Grande News apurou que um dos pedidos é que o caso vá para a Justiça Eleitoral.

A defesa sustenta que é imperiosa a “manifestação da autoridade coatora quanto à exceção de incompetência formulada e, até mesmo, de ofício, acerca da competência da Justiça Eleitoral, por se tratar de incompetência absoluta do Juízo no qual tramita a ação penal”.

Na liminar, o desembargador aponta que apesar de o juiz haver respondido à arguição de incompetência na decisão que recebeu a denúncia, deveria também ter decidido sobre o processo relativo à exceção, antes de dar prosseguimento ao feito.

“Por outro lado, é sabido que o Supremo Tribunal Federal, recentemente, firmou orientação no sentido de que prepondera a competência da Justiça Eleitoral sobre a Justiça Federal, quando se tratar de crimes conexos afetos a ambas as jurisdições”. A ação fica suspensa até o pronunciamento final do TRF 3.

Conforme apurado pela reportagem, a Justiça Federal tentou manter as audiências, informando no mesmo dia 16 de abril que houve decisão nos autos de exceção de incompetência. Mas a liminar para suspender o processo foi mantida. 

Pressa - O advogado José Wanderley Bezerra Alves, que atua na defesa de André PuccinelliJúnior, disse nesta quinta-feira (dia 18) que tem compromisso com o cliente de se manifestar apenas nos autos, portanto, sem declarações à imprensa.

Já a análise de outros advogados que atuam nessa ação penal da Lama Asfáltica é de que o juiz se precipitou, “esquecendo” da exceção de incompetência e indo logo para a decisão sobre o recebimento da denúncia.

Na lista de réus do processo estão André Puccinelli; André Luiz Cance; João Amorim, dono da Proteco; Elza Cristina, também ligada a Proteco; André Puccinelli Junior, apontado como dono do Instituto Ícone (que seria usado como poupança de propina); João Paulo Calves, que seria “testa de ferro” de Puccinelli Junior; Jodascil Gonçalves Lopes; Micherd Jafar Junior, dono da Gráfica Alvorada; João Roberto Baird, conhecido como o Bill Gates pantaneiro pelas empresas de informática; Antônio Celso Cortez; e Ivanildo Miranda, empresário e delator da Lama Asfáltica.