Réu por espancar até a morte esposa com tábua de carne, homem tenta fugir da polícia e é preso por tráfico

Conforme a polícia, suspeito foi perseguido por cerca de 5 minutos, pilotando a moto em alta velocidade.

Acusado de camiseta branca e cabeça baixa, durante julgamento, em Campo Grande — - Foto: Graziela Rezende/ TV Morena

Quase oito meses após ser julgado por espancar até a morte a mulher com uma tábua de carne, em Campo Grande, Gelvio Nascimento Rosseto, de 29 anos, foi preso por tráfico de drogas. Durante a noite desse sábado (29), ele tentou fuga e foi perseguido por cerca de 5 minutos, pilotando a moto em alta velocidade e colocando em risco a vida de pedestres, conforme a polícia.

Os policiais da Força Tática faziam rondas pelo bairro Santa Luzia, quando abordaram na rua um grupo de jovens, por volta das 22h50 (de MS). Gelvio, que estava prestes a estacionar, mudou o rumo e não respeitou a ordem para estacionar. A equipe plantonista disse que o flagrou "dando uma arrancada", quando passaram a persegui-lo pelas ruas da região.

O suspeito foi alcançado no momento em que chegava na rua onde moram os pais dele. Em seguida, ainda conforme a polícia, Gelvio gritou: "A polícia está aqui, eu não fiz nada, sou apenas usuário". A equipe ressaltou que já possuía denúncias anônimas, ressaltando que Gelvio estava vendendo drogas no bairro e então pediu aos pais dele para fazer uma vistoria.

A equipe então encontrou tabletes com porções de maconha e cocaína no imóvel, além de plásticos filme idêntico ao que estava na droga embalada. Gelson foi questionado e ressaltou que é usuário e "adquire sempre em grande quantidade". O suspeito foi encaminhado para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Centro) e indiciado por tráfico de drogas e direção perigosa. Já a moto dele foi encaminhada para o pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS).

Depoimento emocionado do pai da vítima

No dia 31 de agosto do ano anterior, Gelvio prestou depoimento, assim como o pai da vítima, Celso Grecco. “A Justiça hoje é feita para os manos e não para os humanos. Hoje só me resta chorar. Não desejo o que estou passando para mingúem, nem para a mãe dele (acusado). Estou mal, não dormi a noite inteira”, disse na ocasião.

De acordo com o pai, dias antes da morte, Luana pegou a motocicleta para procurar o companheiro. Sem encontrar, ela retornou para casa e pedia, insistentemente, para o pai ligar para Gelvio.

“Eu olhei a quilometragem como de costume. E falei pra minha filha que precisava dela às 21h, pois tinha que trabalhar. Meia hora antes, ela chegou e pediu pra ligar para ele (réu), mas, eu disse que não, que poderia fazer o que quisesse que eu não ia ligar”, comentou.

Em seguida, Celso deu uma carona e deixou a filha nas proximidades da casa da mãe do acusado. “Ela ficou perto, porque nunca deixou eu saber onde era a casa da mãe do marido dela. Minha filha estava cega, tinha brigado e eu falava pra ela largar mão deste cara, mas, não adiantou”, relembrou.

Tempos depois, Luana sumiu. “Quando ela desceu da moto, foi a última vez que eu a vi. Até cheguei a pensar que minha filha tinha se suicidado, porém quando chegou a notícia da morte falaram que tinha sangue espalhado na casa inteira. O delegado do bairro então foi acionado e começou a investigação”, afirmou.

Ainda conforme Grecco, a filha “tinha o sonho de ter uma família”. “Não consegui dominar a Luana. Ela tinha um gênio forte igual a mãe dela. Eu fiquei 7 anos casado com a mãe dela e depois separamos por conta de discussões. Por isso, acredito que Luana sonhava tanto em ter a família dela”, lamentou o pai.

Soltura

Em junho de 2017, a Justiça mandou soltá-lo. Conforme a decisão do juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, o acusado terá que usar tornozeleira eletrônica e comparecer em juízo até o 5º dia útil de cada mês para informar as atividades que têm realizado.

A decisão foi durante mutirão carcerário, que analisa processos de presos provisórios das varas criminais. Foi levado em consideração o fato do acusado ter endereço fixo, de que tinha ocupação lícita quando foi preso e pelo fato de todas as testemunhas já terem sido ouvidas no processo.

Tempos depois, Gelvio foi preso por tráfico e teve um novo alvará de soltura em 12 de setembro do ano anterior.

Entenda o caso

Luana Grecco tinha 22 anos quando foi encontrada morta a golpes de tábua de carne, na casa onde morava com o marido Gelvio, réu pelo crime. Ele foi preso logo depois, conseguiu liberdade no ano seguinte, mas, voltou para cadeia por tráfico de drogas e posse de arma de fogo.

Gelvio responde por feminicídio e homicídio qualificado pelo meio cruel. A jovem foi morta dias antes do corpo ter sido encontrado, durante discussão com o marido, devido ao fato dele ser usuário de drogas. Após o crime, o rapaz fugiu sem prestar socorro.

Dias depois, familiares de Luana ficaram preocupados porque não conseguiam contato com ela e na noite de 31 de agosto de 2016 uma amiga da jovem entrou na casa dela e se deparou com o corpo.