Do presídio, detento comandou roubo a caminhão que terminou em morte de sidrolandense

Dois tiveram prisão preventiva decretada e adolescente foi encaminhado para Unei.

A pousada onde o caminhoneiro foi feito refém, na Rua Maracaju - (Foto: Henrique Kawaminami)

Investigação da Polícia Civil aponta que teria sido comandado do Instituto Penal de Campo Grande a tentativa de roubo a um caminhão, que terminou na morte do adolescente de 17 anos, Alexandre Tavares. O suspeito, identificado como Anderson Clayton Biazon, de 31 anos, está preso por tráfico de drogas e teria convencido a namorada e os dois adolescentes a participarem do crime. Eles também conseguiram a arma e o veículo usados na ação.

A polícia trabalha para descobrir se também partiu de Anderson o pedido falso de serviço feito por um aplicativo, que atraiu a vítima, que não quis ter o nome revelado, até o local onde foi abordada pelos dois menores de idade que o surpreenderam com um revólver, no Bairro Indubrasil.

Também teria ficado sob responsabilidade do presidiário, negociar e pagar o carro e a arma usados pelos adolescentes para render o caminhoneiro e levá-lo até o quarto de hotel onde ficou sob a mira de uma arma de fogo.

Em depoimento, Vicência Corrêa, dona da pousada onde a vítima ficou refém e namorada do mandante, disse que, no dia 25, Anderson ligou informando que no dia seguinte, dois homens iriam até o hotel para “fazer uma fita” e que era para a companheira recebê-los e auxiliar no que eles precisassem, no entanto, o suspeito não informou qual crime seria cometido.

Depois que Alexandre e o irmão adolescente chegaram com a vítima no local, Vicência chegou a alimentá-los e emprestar o celular para que a dupla terminasse de organizar os passos seguintes do crime.

Nas coisas dela, a polícia encontrou uma agenda com diversos telefones anotados e as iniciais 'CV' na capa. Ela foi questionada se ela ou o namorado participavam de alguma facção, no entanto, a suspeita negou. Segundo ela, Anderson já pertenceu ao PCC, mas teria sido desfiliado da facção depois de ter agredido um "irmão" do grupo. 

De acordo com informações do Boletim de Ocorrência, a vítima, foi contratada via aplicativo, por volta das 12 horas, para fazer o transporte de uma carga de telhas isotérmicas até Corumbá.

Na negociação, o caminhoneiro combinou de encontrar com o falso contratante, que se identificou como funcionário de uma empresa, às 14 horas em um ponto do distrito de Indubrasil. Ao chegar no local, ele contou que foi abordado pela dupla de adolescentes que estava em veículo Kadett de cor vinho.

Um deles entrou pela porta do passageiro e, com um revólver na mão, anunciou o roubo. Os dois amarraram as mãos do trabalhador com fita adesiva e taparam os olhos e a boca do rapaz que foi colocado no banco de trás do veículo.

Um motociclista que passava pelo local viu a cena suspeita e acionou a polícia. O caminhoneiro foi levado para a pousada, na Rua Maracaju, onde permaneceu sob a vigilância de um dos menores.

Enquanto isso, o segundo adolescente e o motorista Hernani David de Souza, de 35 anos, contratado para levar o caminhão até Corumbá, voltaram ao Indubrasil para levar o caminhão até a fronteira. Para a polícia, Hernani disse que não sabia que o caminhão havia sido roubado e que apenas aceitou fazer o transporte depois de ser contratado.

O motorista contou que pelo serviço receberia R$ 3 mil, mas que, no entanto, teria desistido ao chegar no local onde o caminhão estava, minutos antes de ser abordado pela Polícia Militar.

Durante abordagem, o adolescente que estava com Hernani, prestes a levar o caminhão roubado para Corumbá, acabou confessando o crime e apontando o local onde a vitíma era feita refém.

Ao chegarem na pousada, policiais teriam sido recebidos a tiros por Alexandre que acabou sendo baleado quando os militares revidaram os disparos. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Alexandre tinha uma extensa biografia de atos infracionais, ficou um período cumprindo pena socioeducativa na UNEI Dom Bosco onde tomou contato com pastores da Igreja Universal que atuam no sistema prisional, na tentativa de ressocializá-los.

Teria se convertido ao evangelho e seu testemunho foi mostrado num dos programas da igreja transmitidos em rede nacional. As circunstâncias da sua morte, envolvido numa investida criminosa, causou comoção entre os frequentadores da igreja na cidade.

Hernani e Vicência passaram por audiência de custódia nesta segunda-feira (29) e tiveram prisão preventiva decretada. O adolescente será encaminhado para a Unei (Unidade Educacional de Internação).

A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que está tomando as providências necessárias, mas que até o momento não foi acionada pela Polícia Civil. *Colaborou Geisy Garnes