Adolescente morto em roubo foi convencido pelo irmão a participar do crime

Menor de idade recebeu proposta pelo Facebook, de presidiário que ofereceu R$ 10 mil.

Adolescente Alexandre Tavares de 17 anos que morreu no confronto no último sábado (27) com a Polícia Militar - Foto: Reprodução/Facebook

O adolescente Alexandre Tavares de 17 anos que morreu no confronto no último sábado (27) com a Polícia Militar, foi convencido pelo irmão, também de 17 anos, a participar do crime. Os dois receberiam R$ 5 mil cada um para renderem o caminhoneiro, e o deixarem em cativeiro até o veículo ser levado para a Bolívia.

Em depoimento, o menor de idade apreendido disse que no último dia 18, recebeu uma mensagem no Facebook de um homem conhecido como ‘Colombiano’. A polícia investiga se trata-se de Anderson Clayton Biazon, de 31 anos, que teria comandado o crime de dentro do Instituto Penal de Campo Grande.

No contato, ‘Colombiano’ perguntou se o adolescente gostaria de ‘ganhar um dinheiro’ cometendo um crime. Com resposta positiva, os dois trocaram número de celular e passaram a conversar via WhatsApp. Em depoimento o garoto informou que o suspeito estava preso, mas não soube dizer em qual penitenciária.

Para o garoto, o preso disse que pagaria R$ 10 mil para ele encontrar um ajudante para juntos, roubarem um caminhão que seria levado para Corumbá e depois, atravessado para a Bolívia. Para ajudá-lo, o adolescente convenceu o irmão a participar do crime.

Confirmados no esquema, ‘Colombiano’ arranjou uma arma de fogo para os irmãos e disse que encontraria alguém para levar o veículo até a fronteira. Na quinta-feira (25), mandou que a dupla fosse até a região do Parque Ayrton Senna, onde receberam R$ 2 mil de um homem. O dinheiro foi usado para comprar o veículo Kadett usado no crime.

Depois disso, os irmãos e o motorista foram até a rodoviária onde pegaram o motorista Hernani David de Souza, de 35 anos, contratado para levar o caminhão até Corumbá, e o deixaram em um hotel próximo a pousada onde a vítima, ficou em cativeiro.

Na sexta-feira (26), um dia antes do crime, o chefe do grupo mandou uma mensagem dando ‘sinal verde’ e repassando as coordenadas de como o roubo iria acontecer.

Para a polícia o menor de idade disse que ele e o irmão encontraram o motorista no Indubrasil. Lá, ele teria descido e surpreendido a vítima com a arma, enquanto o Alexandre amarrou o trabalhador.

Depois de deixar o caminhoneiro na pousada, o menor voltou com Hernani para o local onde o caminhão estava, enquanto Alexandre ficou responsável por vigiar a vítima. De volta no Indubrasil, os dois foram abordados por equipe da Polícia Militar que havia sido informada sobre a suspeita de um crime, depois de um motociclista que passava pelo local ter visto os suspeitos abordando o caminhoneiro.

Durante abordagem, o adolescente acabou confessando o crime e apontando o local onde a vítima era feito refém. Ao chegarem na pousada, policiais teriam sido recebidos a tiros por Alexandre que acabou sendo baleado quando os militares revidaram os disparos.

Ele chegou a ser socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

De acordo com informações do Boletim de Ocorrência, o caminhoneiro foi contratado via aplicativo, por volta das 12 horas do dia do crime, para fazer o transporte de uma carga de telhas isotérmicas.

Alexandre tinha uma extensa biografia de atos infracionais, ficou um período cumprindo pena socioeducativa na UNEI Dom Bosco onde tomou contato com pastores da Igreja Universal que atuam no sistema prisional, na tentativa de ressocializá-los.

Teria se convertido ao evangelho e seu testemunho foi mostrado num dos programas da igreja transmitidos em rede nacional. As circunstâncias da sua morte, envolvido numa investida criminosa, causou comoção entre os frequentadores da igreja na cidade.