Prisão por corrupção completa 1 ano e Giroto faz história entre políticos

Na última década, ver políticos atrás das grades passou a ser lugar-comum no Estado, mas nunca por período tão longo.

Em 8 de maio do ano passado, Giroto se apresenta na superintendência da PF para a quarta e mais longa prisão. - Foto: Fernando Antunes

Ex-deputado federal, Edson Giroto faz história em Mato Grosso do Sul: é o primeiro político denunciado por corrupção a completar um ano atrás das grades. Alvo da PF (Polícia Federal), ele contabiliza quatro prisões na operação Lama Asfáltica, que investiga corrupção, sendo a última iniciada em 8 de maio do ano passado.

Há um ano na cela 17 do Centro de Triagem de Campo Grande, destinada a presos com ensino superior, Giroto, que também foi secretario de Obras no governo André Puccinelli, foi o primeiro a ser condenado pela Justiça Federal. A pena é de quase dez anos de prisão e a decisão data de março deste ano. Ou seja, foram nove meses de prisão sem ter condenação.

A defesa aguarda julgamento de pedido de liberdade no STF (Superior Tribunal Federal).  "Giroto está bem na medida do possível", afirma o advogado Valeriano Fontoura, que tem contato diário com o cliente. Sobre a primeira condenação, o advogado entrou com recurso chamado embargo de declaração, em que pede que a Justiça esclareça omissões na sentença.

Noventa dias - Na última década, ver políticos atrás das grades passou a ser lugar-comum no Estado. Em 2010, a segunda maior cidade do Estado teve o prefeito preso em pleno exercício do mandato, num grande escândalo político. Ari Artuzi, então chefe do Poder Executivo de Dourados, foi alvo da operação Uragano, deflagrada em setembro daquele ano pela Polícia Federal.

Acusado de coordenar esquema de propina envolvendo vereadores e empresários, ele passou 90 dias atrás das grades, sendo solto um dia após renunciar ao cargo. Em dez anos, Artuzi passou de caminhoneiro e presidente de associação de bairro a prefeito de Dourados. Morreu em agosto de 2013.

Quarenta e sete dias - Em outubro de 2015, Gilmar Olarte foi o primeiro prefeito de Campo Grande, ainda que na condição de afastado, a parar atrás das grades. O Poder Executivo da Capital vivia calmaria desde a década de 50, quando o então prefeito Ari Coelho foi assassinado.

A prisão, temporária, com validade de cinco dias, foi um desdobramento da operação Coffee Break, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) para investigar compra de votos na Câmara Municipal.

A segunda prisão de Olarte, já ex-prefeito, foi em agosto de 2016, desta vez na operação Pecúnia, em que o Gaeco investigou lavagem de dinheiro. Ele foi solto após 42 dias de prisão.

Cinco meses – Ex-governador do Estado, André Puccinelli (MDB) passou cinco meses presos, de julho a agosto de 2018, também na operação Lama Asfáltica. Ele responde por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A primeira prisão de Puccinelli aconteceu em novembro de 2017, quando passou algumas horas atrás das grades.

Aberto – Ex-prefeito de Aquidauana e ex-deputado federal, Raul Freixes cumpre pena em regime fechado pela primeira vez desde março deste ano. Com condenações desde 2103 por corrupção, ele havia passado por regime aberto e semiaberto.