Líder no ranking da violência doméstica, Sidrolândia não tem estrutura e nem pessoal para acolher vítimas

Os dados de 2018, mostram que foram registrados 319 boletins de ocorrência, o que corresponde 568,82 casos.

Líder no ranking da violência doméstica, Sidrolândia não tem estrutura e nem pessoal para acolher vítimas - Foto: Marcos Tomé/Região News

Levantamento da Subsecretaria Estadual de Políticas Públicas para a Mulher coloca Sidrolândia numa incômoda situação de líder (em temos proporcionais à sua população) no ranking estadual da violência contra a mulher entre os 65 municípios onde não há delegacias especializadas.

Os dados de 2018, mostram que foram registrados 319 boletins de ocorrência, o que corresponde 568,82 casos a cada grupo de 100 mil habitantes. Supera, ligeiramente o indicador de Maracaju, segunda colocada, que teve 257 registros, equivalente a 559,52 casos (pelo mesmo parâmetro, por grupo de 100 mil habitantes).

Nos últimos 15 meses, foram 44 estupros (sendo 35 casos em que a vítima era adolescente ou menor); 147 casos de lesão corporal dolosa; 75 vias de fato; 237 ameaças; 89 injúrias; 10 casos de difamação; três feminicídios e duas tentativas de homicídio.

Mesmo diante desses números preocupantes, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública não oferece à Polícia Civil nenhuma estrutura de atendimento especifico para acolher as vítimas. A delegada Thais Duarte conta apenas com o suporte de duas estagiárias. A única policial feminina, a investigadora Cristina foi transferida para o município de Rio Negro.

Por enquanto, não saiu do papel a promessa do governador Reinaldo Azambuja, feita ano passado, de estruturar a chamada “sala lilás”, um espaço físico com estrutura privativa para as vítimas, onde eles pudessem prestar depoimento sem se constranger. “O ideal é que tivéssemos o suporte de uma psicóloga e um assistente social para que as mulheres agredidas pudessem ser melhor acolhidas”, explica a delegada.

Hoje elas são encaminhadas para atendimento no CREAS da Secretaria de Assistência Social, muitas acabam desistindo no meio do caminho, por medo, porque se reconciliam com os agressores ou simplesmente, desanimam, já que há uma fila de espera para atendimento.

A delegada esteve ontem na Câmara para tentar sensibilizar os vereadores sobre a necessidade de reverter este quadro. Ela busca o apoio da sociedade para fazer algumas adequações no prédio da delegacia. “Não é nada complicado. Precisamos, pelo menos de um acesso onde as mulheres possam entrar e sair de forma mais reservada”, explica.

Neste ano, o cenário não melhorou, tanto que até o último dia 19 de março, tinham sido registrados 289 ocorrências, o que corresponde a 90% das ocorrências de 2018, sinalizando que a cidade continua liderando este ranking negativo. Deve-se levar em conta, na avaliação da vereadora Vilma Felini, que há muita subnotificação, já que muitas mulheres preferem não fazer o registro na polícia com medo de retaliações por parte do agressor.

Estatística de boletins de ocorrência

Ano

Número de casos

2015

220 casos

2016

360 casos

2017

450 casos

2018

319 casos

2019 (até 19 de março)

289 casos