Seis anos após morte de Oziel, familiares esperam indenização e lamentam impunidade

Oziel Gabriel foi morto por um policial federal durante reiteração de posse há exatos seis anos.

Otoniel Gabriel, acompanhado do irmão Elizur Gabriel e do ex-cacique Genivaldo Campos durante entrevista ao RN. - Foto: Vanderi Tomé/Região News

Esta quinta-feira, 30 de maio, é uma data histórica para nação terena da reserva indígena Buriti de Sidrolândia. Há seis anos morria Oziel Gabriel, durante processo de reintegração de posse da Fazenda Buriti. A perícia comprovou que Oziel foi morto por um policial federal integrante das forças de segurança mobilizadas para fazer cumprir a reintegração de posse determinada pela Justiça Federal em pleno feriado de Corpus Christi.

Considerado umas das lideranças da aldeia Córrego do Meio, Oziel foi para luta naquela também manhã de quinta-feira, acompanhado do filho mais novo, com 15 anos na época. Anos após a fatalidade, a família, além da saudade, lamenta o sentimento de impunidade e espera indenização cobrada na Justiça da União.

“É um sentimento além de impunidade, de raiva também, por que parece que simplesmente perdeu a vida de uma pessoa e não se deu valor naquele trágico confronto que poderia ter sido evitado, se houvesse conversas”, comenta Otoniel Gabriel.

Em outubro de 2016, o Ministério Público Federal, divulgou nota, afirmando que a bala de 9 mm e da marca CBC que matou Oziel, na época com 35 anos, é de uso exclusivo da Polícia Federal. Mas não concluiu quem atirou e o caso foi arquivado. O indígena estava escondido atrás de uma árvore e portava uma faca, arco e flecha no momento em que foi atingido.

Para Otoniel, o sacrifício do irmão não foi em vão. Atualmente 80% dos 15 mil hectares reivindicados pelos terenas estão sob o controle da comunidade indígena. Os familiares esperam indenização. “Está em tramitação o processo de indenização, esperamos que neste ano ainda, haja a liberação para a esposa e os filhos que estão recebendo apenas auxilio do INSS”. Nesta quinta-feira a aldeia Córrego do Meio está de luto em memória de Oziel.

Otoniel ainda criticou o presidente Jair Bolsonaro, por transferir da Funai (Fundação Nacional do Índio) para o Ministério da Agricultura a atribuição de identificar, delimitar e demarcar reservas de índios. Até então, a atribuição de definir as terras indígenas era da Funai, fundação que era vinculada ao Ministério da Justiça e passou a ficar sob o guarda-chuva do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

No último dia 23 de maio a Câmara dos Deputados voltou a devolver a atribuições da Funai para o Ministério da Justiça, comandado por Sérgio Moro. Nesta quarta-feira o Senado aprovou MP que trata desta mudança e agora o texto segue para sanção presidencial.

“Vejo o governo como retrocesso, a nossa leitura diante desse governo anti-indígena, que já pregava isso na sua caminhada política, que fosse fazer algo que ia nos prejudicar”, critica Otoniel. Confira a entrevista completa feita em vídeo com Otoniel Gabriel em que ele recorda a história de Oziel e comenta sobre o atual governo.

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Publicado por Regiao News em Quinta-feira, 30 de maio de 2019