Incêndios chegam a quase 75% do total registrado ano passado

De janeiro a maio foram contabilizados 1.773 casos.

Focos identificados em 2019 (cinco meses) representam 74,4% do total de 2018 - - Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

Em apenas cinco meses deste ano – entre janeiro e maio –, Mato Grosso do Sul já registrou 1.773 focos de incêndio, o que representa 74,4% do total de 2018, quando foram 2.380 casos, de acordo com dados do Corpo de Bombeiros (CBM-MS). Os números só confirmam o que já é esperado: em 2019, a quantidade de incêndios florestais e urbanos poderá ser recorde no Estado.

“É cíclico, a gente observa aumento dos registros a cada dois ou três anos. E para 2019, infelizmente, a previsão é ruim. Por isso, precisamos trabalhar a conscientização das pessoas, mudar a cultura de se atear fogo em folhas nos quintais. Isso prejudica, atrapalha em vários aspectos”, explicou o tenente-coronel Waldemir Moreira Júnior, que é chefe do Centro de Proteção Ambiental do CBM.

Em 2016, foram 6.958 focos e, no ano seguinte, 7.130. Mas os dados relativos à série histórica de 2016 até 2019, dos meses de janeiro e fevereiro, são os que chamam mais atenção. No primeiro mês do ano, a quantidade de focos passou de 127, em 2016, para 542, em 2019 – enquanto no ano passado foram apenas 47. E, no mês de fevereiro, foi de 187, em 2016, para 290, em 2019, sendo 50 casos em 2018.

“O foco de calor é captado pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) a partir de 47°C, mas não é só na área rural. Os incêndios florestais podem ter vários focos de calor e têm a principal característica o fogo fora de controle. Já a ocorrência de incêndio, especialmente urbano, é em período sazonal”, afirmou Moreira.

O período entre junho e setembro é quando a quantidade de registros aumenta, por isso o Comitê Municipal de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e Urbanos de Campo Grande abriu ontem as atividades da campanha Diga Não às Queimadas Urbanas, que tem como tema “Onde Tem Queimada, Não Tem Saúde!”.

“A ideia é antecipar a prevenção, para que, quando chegarmos em agosto, o mês mais crítico, a gente tenha a situação sob controle. 

A maioria dos focos de calor e incêndios urbanos é intencional, provocada para limpar ali o lixo orgânico do próprio quintal ou mesmo o terreno baldio do vizinho. Mas tudo isso tem risco, pois pode se transformar em um incêndio de grandes proporções”, comentou o vereador Eduardo Romero (Rede), que tem atuação em temas ligados ao meio ambiente e solicitou a antecipação das ações.

CASOS

No ano passado, o Corpo de Bombeiros atendeu 2,3 mil ocorrências de incêndio em vegetação, na área urbana e rural de Campo Grande. A quantidade foi 20% maior do que o registrado em 2017. Dados do comitê apontam ainda que, no ano passado, foram aproximadamente 60 mil atendimentos médicos a pacientes com problemas respiratórios, ou seja, mais de 160 casos por dia somente na rede pública de saúde da Capital. 

A região do Bandeira, com 15.829 atendimentos em saúde, foi a recordista no ano passado, seguida pela Imbirussu, com 11.484. E a zona rural foi a que teve menor quantidade, 286. De acordo com o órgão, foram 169 notificações relativas a incêndios em terrenos baldios, e em 59 casos os autores foram multados. 

“Depende de cada caso, mas o valor pode chegar a R$ 5 mil, caso a pessoa seja reincidente”, disse o responsável pelo setor de Educação Ambiental da agência, Vinícius Zanardo.

“As regiões da cidade com mais focos de calor e queimadas são também as mesmas que concentram maior atendimento de pessoas com problemas respiratórios”, apontou a chefe de divisão de Meio Ambiente da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), Mariana Massud. 

A prática das queimadas causa ainda outros danos à população. O fogo em terrenos e em entulhos pode atingir a rede de distribuição de energia elétrica. Em 2018, foram registradas 384 ocorrências do tipo emergência com interrupção de energia por mais de 4 horas.