Produtores de Sidrolândia começam a colher milho safrinha que deve ter produção recorde

A estimativa mais recente, projeta uma produção de 936 mil toneladas, recorde nos últimos anos, superando a da safra 2017.

O volume que o Mato Grosso do Sul deve colher de milho segunda safra é tão expressivo, que se o estado fosse um país, seria o 16º maior produtor mundial - Foto: Reprodução/Google

Como o tempo ajudou, garantindo uma produtividade média de 80 sacas por hectare, Sidrolândia deve retomar o segundo lugar como maior polo de produção do milho safrinha de Mato Grosso do Sul que perdeu para Dourados ano passado quando a seca na fase de desenvolvimento da planta, reduziu em 38% a produtividade, de 95,1 para 59 sacas por hectare. Houve o cultivo de 195 mil hectares, maior que a da safra passada (187.356 hectares).

A estimativa mais recente, fechada na reunião de ontem no Sindicato Rural do grupo de acompanhamento da safra do IBGE, projeta uma produção de 936 mil toneladas, recorde nos últimos anos, superando a da safra 2017, até então a maior, quando foram colhidas 918 mil toneladas. Ano passado a produção sidrolandense ficou em 663 mil toneladas.

Paulo Stefanello, grande produtor (com 3 mil hectares de área plantada), tem obtido em torno de 125 sacas por hectare, mas prevê um resultado na faixa de 80 sacas, para quem plantou depois de 15 março. Essas lavouras, foram afetadas pelos últimos 30 dias de estiagem. É o caso por exemplo, do assentado Luiz Varela, do Vacaria, que esperava repetir o mesmo resultado da safra passada (até 80 sacas por hectare) e aposta numa produtividade média de 40 sacas.

Avaliação

O presidente da Aprosoja/MS, Juliano Schamaedecke, calcula um incremento de 5,73% na área cultivada de milho no Estado, de 1,814 milhão de hectares da temporada passada para 1,918 milhão de hectares na atual e salto de produtividade de 18,4%, aumentando de 70,1 sacas por hectare para 83 sacas por hectare, podendo chegar, se as condições climáticas forem positivas até a 85 sacas por hectare.

Com crescimento na área e no rendimento, a expectativa da entidade é de uma produção em torno de 9,552 milhões de toneladas, que pode ser revista para cima ainda, ultrapassando até mesmo a marca de 10 milhões de toneladas.

Se confirmada a previsão inicial apresentada nesta quinta-feira, os agricultores deverão colher a segunda maior “safrinha” da história de Mato Grosso do Sul. Referendada no campo a estimativa técnica, o presidente da Aprosoja/MS comenta que neste ano o estado se consolida como o terceiro maior produtor brasileiro de milho safrinha, correspondendo a 10% da produção nacional.

O volume que o Mato Grosso do Sul deve colher de milho segunda safra é tão expressivo, que se o estado fosse um país, seria o 16º maior produtor mundial, conforme os dados mais recentes divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que são de 2017.

Somente os Estados Unidos, a China, o Brasil, a Argentina, a Índia, a Indonésia, o México, a Ucrânia, a África do Sul, a Romênia, a França, o Canadá, a Rússia e a Nigéria, produziriam mais do que Mato Grosso do Sul.

O presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, comenta que esse expressivo crescimento de produção não se deve somente as boas condições climáticas e aumento de área, mas também ao trabalho do agricultor sul-mato-grossense. "É também resultado do investimento do produtor rural. Investimento em tecnologias, que são sustentáveis e o resultado disso e mais uma supersafra para Mato Grosso do Sul".

Saito também relatou que o produtor está mais amadurecido para lidar as questões de flutuação do mercado e citou como exemplo a influência nas cotações das notícias de uma quebra na safra norte-americana do cereal, o que junto com a alta do dólar perante o real, provocou nas últimas duas semanas uma valorização do grão, mesmo com a expectativa de uma safra recorde em Mato Grosso do Sul e no Brasil.