Menino de 13 anos, morador de ocupação, vira atração em palestra para empresários

Rogério Gonçalves, um inventor nato com espírito de empreendedor, foi descoberto pelo empresário Diego Pavei.

Empresário Diego Pavei, palestrante Rick Chesther, jovem Rogério Gonçalves e Paloma Moraes (esposa Diego). - Foto: Reprodução/Facebook

Um garoto de 13 anos, aluno do 7º ano da Escola Municipal Pedro Aleixo, que há um ano mora em Sidrolândia, em companhia da mãe, Valdirene Maria Gonçalves, de um irmão de 16 anos e do padrasto, num dos barracos erguidos na esplanada ferroviária, virou atração na última sexta-feira em Campo Grande na palestra de Rick Chesther, dirigida a empresários. O palestrante é um ex-vendedor que se tornou um consultor de sucesso, que já se apresentou até mesmo em Harvard, uma das mais prestigiadas universidades americanas. Veja o vídeo.

Rogério Gonçalves, um inventor nato com espírito de empreendedor, foi descoberto pelo empresário Diego Pavei que resolveu leva-lo para Campo Grande e contar a história de vida dele para o palestrante. Diego conheceu Rogério pedalando uma bicicleta na Avenida Dorvalino dos Santos (onde a família Pavel tem vários estabelecimentos comerciais) fazendo publicidade num equipamento de som que o próprio garoto montou. O exemplo de Rogério impressionou tanto Rick Chesther que ele gravou um vídeo e postou nas redes sociais que pode ser visto em 150 países.

Afinal, o que tem de especial na trajetória deste garoto, ao ponto de se tornar um personagem das redes sociais, apadrinhado por um dos mais maiores influenciadores digitais do momento? Certamente sua curiosidade aguçada que faz dele um inventor nato, quase compulsivo, combinado com o espírito empreendedor.

A mãe de Rogério, dona Valdirene, após se separar do primeiro marido, trocou Campo Grande por um barraco num acampamento organizado pela CUT em Nioaque, estimulada pelo sonho de ter um lote da reforma agrária. Em julho do ano passado se juntou as 100 famílias que ocuparam a antiga esplanada da ferrovia em Sidrolândia onde está até hoje.

Enquanto não está na sala de aula, o menino circula pela cidade de bicicleta carregando uma caixa de som (que ele mesmo montou) com propaganda de lojas (que ele próprio grava os áudios) que se dispõem a pagar R$ 10,00 por hora de veiculação. Também consegue alguma renda fazendo pequenos consertos de rádios, celulares que aprendeu de forma autodidata, já que nunca fez um curso técnico. O irmão mais velho teve de interromper o trabalho com a coleta de reciclável, por intervenção do Conselho Tutelar.  

Rogério resolveu o problema de luz elétrica no barraco onde mora com a família, aproveitando baterias antigas de celular para gerar energia fotovoltaica, a partir da captação e armazenamento de raios solares. A experiência deu tão certo que a estendeu para outros 8 barracos vizinhos. Conseguiu consertar um aparelho estragado, adaptou um conversor digital, para garantir a família acesso à TV.   

O que motivou a buscar uma alternativa mais segura de abastecimento de energia do barraco foi uma experiência trágica pela qual a mãe dele passou em 2002 quando morava num acampamento de sem-terra. Uma irmã do jovem inventor, que ele não chegou a conhecer, morreu quando tinha menos de dois anos, num incêndio no barraco provocado por vela usada para iluminar o ambiente a noite.  

Quem é Rick Chesther

Rick Chesther parou de estudar muito cedo e não tem nenhum curso. É apenas formado em superação na faculdade da vida, como diz em seu livro. Afirma que todo seu conhecimento foi adquirido com os livros que leu e pelo que passou.

Por ter largado a escola para trabalhar cedo, ele se propôs a ler, pelo menos, quatro livros por semana. E assim o fez. Nascido em Pitangui, Minas Gerais, se mudou para São Paulo com a família. Mãe, pai e 4 irmãos. Quando tinha sete anos de idade, sua vida se transformou a partir do problema de saúde de sua mãe. 

Rick conta em suas entrevistas que esse foi o momento que viu que ele teria que ir atrás do que queria. Começou então, a plantar verduras no quintal de casa e vendê-las para ajudar a família. Diz que aos 8 anos já empreendia e nem tinha conhecimento do que estava fazendo. 

Vendeu verduras, picolé, sacolé, fruta e bijuteria. Fazia o que tinha que fazer para se sustentar e viver como era possível no momento. E por isso diz que não acredita na crise. Em seu vídeo mais famoso, ele termina dizendo: "Vender água não dá pra você, não? Então a crise, no seu caso, não está no país. Está dentro de você."

Rick, que sempre leva sua caixa de isopor com as cores da mangueira para todas suas entrevistas e palestras, explica o porquê disso. Ele esclarece que temos sempre que lembrar de onde viemos para poder saber para onde vamos. Por isso não se considera um "ex-vendedor de água". Afinal, se precisar, ainda tem sua caixa e sabe vender.