Presidente do Santos nega atrito com Sampaoli, entende cobranças e diz: 'Vamos procurar resolver'

José Carlos Peres promete quitar atrasos após receber segunda parcela de Rodrygo

José Carlos Peres, presidente do Santos — - Foto: Gabriel dos Santos

O presidente do Santos, José Carlos Peres, concedeu entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, na Vila Belmiro e falou sobre os bastidores do clube nos últimos dias, em especial sobre sua relação com o técnico Jorge Sampaoli, que fez reclamações formais demonstrando insatisfação com a postura da diretoria em determinados assuntos nesta semana.

Peres negou qualquer atrito com Sampaoli e afirmou entender as cobranças do treinador.

– Eu nunca tive atrito com Sampaoli, nenhum. Com o Cuca também não. Você não viu ele ir na imprensa expor. São situações óbvias. O Santos não é um Barcelona, Real Madrid ou Manchester City, aqui o dinheiro é de acordo com aquilo que você tem de receita e o que você tem de despesa. Nós trouxemos 12 jogadores, eles estão aí. Agora o Evandro, então são 13. Trouxemos jogadores – afirmou Peres.

– De maneira nenhuma (Sampaoli está extrapolando nas reclamações). É o jeito dele. Nunca discutimos. O respeito é muito grande entre nós. Mas isso acontece. É bom que fique bem claro que ele não foi a público expor. Esse foi um documento vazado que estamos investigando. Estamos mais ou menos próximos de encontrar. Ele não deu entrevista para ninguém para expor qualquer tipo de problema. Ele tem resolvido diretamente comigo, com tranquilidade e respeito – emendou o presidente.

O mandatário prevê uma reunião com Sampaoli nos próximos dias para resolver qualquer divergência. Peres também explicou a dificuldade financeira do Santos para atender as demandas do técnico.

– Temos que entender as reclamações dele e procurar resolver. Está tudo em ordem. Trocamos algumas palavras. Teremos uma reunião, provavelmente, na volta da Bahia (onde o Santos joga neste sábado) – disse Peres.

– Mas todas as questões são fáceis de resolver. Algumas estão em curso. A questão de trazer mais jogadores é complicada, de orçamento. Eu tenho um estoque para vender e o que está em uso. Preciso fazer dinheiro vendendo o que eu tenho, os que não estão nos planos. Depois, com o dinheiro, trabalhar as aquisições. O campeonato é rápido, não dá para fazer as coisas no afogadilho. Demandas sempre terão, seja lá qual for o técnico. Temos que explicar, às vezes, que nem sempre tudo é possível. O futebol está complicado – emendou o presidente.

Os principais pontos que incomodam o treinador são os seguintes:
  1. Falta de reforços durante a Copa América (Evandro, ex-Hull City, foi contratado) e reposição para saídas de jogadores (principalmente Jean Lucas);
  2. Contratações de jogadores sem aval da comissão técnica;
  3. Partidas no Pacaembu (Sampaoli e elenco admitem publicamente a preferência pela Vila Belmiro);
  4. Falta de premiações (bicho) por jogos no Brasileirão;
  5. Dívida de três meses no pagamento de direitos de imagem. O GloboEsporte.com apurou que o bônus que completa o salário do técnico corresponde a 10% dos vencimentos – os outros 90% estão em dia. Os valores de direitos de imagem são pagos trimestralmente ao treinador.

Sobre o atraso nos direitos de imagem (bônus que completa o salário) de Sampaoli e de parte do elenco, Peres voltou a afirmar que serão quitados assim que o Santos receber a segunda parcela da venda de Rodrygo ao Real Madrid, no valor de 20 milhões de euros (R$ 84,5 milhões, na cotação atual).

– CLT está fechada. Não devemos nada. Nós estamos acertando sim. Estamos praticamente há uns dias para entrar o dinheiro do Rodrygo. Vamos colocar tudo em dia. Tanto que nenhum jogador reclamou. Conversamos. O que não pode é prometer e não cumprir. Futebol brasileiro está complicado. Você pega os outros clubes e vê como está. Temos a felicidade de estar quase em dia – falou o presidente.

A respeito da discussão entre Vila Belmiro e Pacaembu, Peres afirmou que o pedido de Sampaoli por jogos em Santos é legítimo, mas não pode "abandonar a massa de torcedores em São Paulo".

– As outras pendências são pendências já resolvidas e outras, não. Sobre jogar na Vila ou São Paulo, vamos sentar e escolher os jogos para vir ou ir para São Paulo. Vemos essa demanda que haveria jogos em Santos e São Paulo. Como a Vila esteve fechada, ainda faltam quatro ou cinco jogos para ficar 50%. O pedido é legítimo, sentarmos juntos e esclarecer. Não podemos abandonar a massa de torcedores em São Paulo, que é enorme. O percentual de sócios é maior na capital. Mas nossa casa é a Vila Belmiro.

No Santos há pouco mais de seis meses, Sampaoli tem contrato até o fim de 2020. No primeiro ano de vínculo, há uma multa rescisória de cerca de R$ 10 milhões, válida para ambos os lados em caso de quebra de acordo.