Com superprodução, Sidrolândia começa a colher urucum que será todo destinado à exportação

A safra deste ano mais que vai dobrar (de 12 para 25 toneladas) em relação a de 2018.

Produção de urucum produzida ano passado no assentamento Eldorado - Foto: Arquivo Pessoal

Começa nesta semana a colheita da safra 2019 de urucum, cultura explorada por aproximadamente 70 pequenos produtores de assentamentos de Sidrolândia que há três anos começaram a se dedicar a atividade. São mais de 200 pés em estágio de produção.

A safra deste ano mais que vai dobrar (de 12 para 25 toneladas) em relação a de 2018, mas o excesso de oferta no mercado (só uma fazenda em São Paulo tem um milhão de pés cultivados) reduziu de R$ 6,00 para R$ 3,00 por quilo, o valor de mercado. Toda a produção será destinada à exportação, para os Estados Unidos, Costa do Marfim e Dinamarca, sede de uma das maiores indústrias de cosméticos do mundo, a Christian House.

O lançamento da colheita na sede da unidade de beneficiamento, no Assentamento Alambari Fetagri, lote da assentada Marlene Biel, terá também um ato de entrega pela Prefeitura, de uma batedeira de cereais, adquirida com recurso de uma emenda parlamentar do ex-deputado Zeca do PT e do deputado Vander Loubet e contrapartida do Governo do Estado. O equipamento vai agilizar o processo de limpeza e beneficiamento do urucum até aqui feito de forma manual. A limpeza de uma saca de 60 quilos que levava um dia inteiro para ser concluído, com a batedeira, poderá ser feita em uma hora.

Mesmo com o cenário de quebra no preço internacional do urucum, a atividade, na opinião de Marlene Biel, continua sendo uma alternativa rentável para o assentado. “Houve um excesso de produção e com isto o preço caiu. A tendência é que muita gente saia da atividade e a cotação volte a reagir”, acredita. Atualmente há 250 hectares plantados com urucum em Sidrolândia, 45 hectares, na sede do Assentamento Eldorado.

Parceria

Toda a produção de urucum é comprada pela Urucum do Brasil, empresa parceira sediada em Monte Castelo no interior de São Paulo, que vem pegar a produção em Sidrolândia.

Ano passado a empresa comprou 12 toneladas de urucum, garantindo um faturamento (livre de ICMS e frete) de aproximadamente R$ 72 mil para os produtores. Só um dos produtores, com lavoura na sede do Eldorado, entregou quase 7 toneladas.

Pra que serve o urucum?

Da semente do urucum é extraída uma substância chamada bixina, que é usada como colorífico e corante nas indústrias alimentícias, farmacêuticas, têxteis, de cosméticos e de perfumarias. A demanda por esses produtos no mercado está em alta desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs o uso limitado de corantes sintéticos, principalmente nos alimentos, para evitar eventuais ações cancerígenas.

“Com um hectare é possível produzir 2,5 toneladas e faturar até R$ 14 mil por safra, além de ser uma cultura que não dá muito trabalho, pois é resistente ao solo, ao clima e não tem muitas doenças”, comenta, dona Marlene, Além da correção do solo com calcário, é necessário fazer três aplicações anuais de adubação, na proporção de 0,50 grama por aplicação em cada planta. No primeiro ano começa a produção, com produtividade entre 500 gramas e 1 kg, podendo chegar a 7 quilos ao prazo de cinco anos.