Com três anos de antecedência, Marun lança Puccinelli ao governo de MS

Ex-governador não se candidata desde que ganhou segundo mandato, em 2006, mas segue como nome forte, mesmo sob acusações de desvio

Marun conversa com jornalistas durante agenda em Campo Grande nesta quinta-feira. - (Foto: Fernanda Palheta)

Se depender do MDB, a eleição de 2022 para a sucessão de Reinaldo Azambuja terá de volta o coraçãozinho e o “Amor Trabalho e Fé”, slogan grudado na imagem política do ex-prefeito de Campo Grande e ex-governador por duas vezes de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, há mais de duas décadas o principal nome da legenda no Estado. Mesmo depois de prisão de quase seis meses, da qual André saiu em dezembro, o médico de 71 anos foi “lançado” para a disputa pelo fiel escudeiro Carlos Marun, conselheiro da usina de Itaipu, graças ao ex-presidente Michel Temer, e terceiro vice-presidente do diretório estadual emedebista.

Durante agenda nesta quinta-feira (18), no Aeroporto Internacional de Campo Grande, Marun foi perguntado sobre suas ambições políticas e, de cara, defendeu a candidatura de Puccinelli. “Sou um sargento dentro do Exército do MDB que pretende levar André ao governo do Estado em 2022”, declarou.

“Esse é o planejamento do partido, eleger o André como governador nas próximas eleições”, complementou. Marun afirmou, ainda que, se for para “ajudar o André”, topa inclusive uma candidatura a deputado federal ou ainda ser um coordenador de campanha.

Há uma eleição antes, para prefeito, no ano que vem, e o nome do “Dr André” já foi citado, mas segundo Marun, o partido “tem convicção” de que André será o candidato em 2022 e não a prefeito. Pela observação do conselheiro de Itaipu, “não está nos planos nem do ex-governador nem do partido” o lançamento a prefeito.

“Eu, Marun, até penso diferente, entendo que deveria avaliar essa alternativa, pois o André é o nosso candidato natural também para prefeito, mas até agora não vi nenhum sinal dele de que ele tenha essa pretensão”, relatou. Citou como evidencia do interesse em disputar o comando do Parque dos Poderes o fato de a agenda de André ser toda no interior de MS, com reuniões e visitas. “O planejamento é 2022”, repetiu.

Vai não vai – André Puccinelli não disputa eleição desde que ganhou o segundo mandato de governo, em 2006, ainda no primeiro turno, com 61% dos votos. Desde 2017, vive um terremoto jurídico, sob acusação de participação em esquemas de desvio de dinheiro público. Ele é investigado pela operação Lama Asfáltica, que apura, em apenas uma de suas fases, a Papiros de Lama, prejuízo de R$ 230 milhões aos cofres públicos.

Já usou tornozeleira eletrônica, em maio de 2017 e ficou preso duas vezes, em novembro daquele ano e entre julho do ano passado e dezembro. No tempo passado na cela 17 do Instituto Penal de Campo Grande, teve a companha do filho, o advogado André Puccinelli Junior.
Na eleição passada, para o governo, foi mantido como opção do MDB para disputar a eleição até mesmo depois de preso, quando anunciou a desistência e acabou substituído pelo ex-deputado Junior Mochi. Continuou, porém, como presidente estadual da legenda e chegou a fazer reuniões políticas dentro da cadeia. Marun foi um deus principais visitantes no presídio.

Depois, reelegeu-se em 2000, no primeiro turno, com 223 mil votos. De lá para cá, foi sempre cogitado para as disputas tanto ao governo quanto à prefeitura, ou ainda ao Senado, mas sempre acabou desistindo.

Desde que saiu da prisão, Puccinelli não se manifestou sobre seu futuro político.