Governo não libera recurso para acesso e trava geração de 300 empregos em desossa

Como o acesso não sai, a empresa não coloca em funcionamento a sala de desossa.

Vista aérea do acesso ao Frigorífico Balbinos. - Foto: Marcos Tomé/Região News

A população de São Gabriel do Oeste, comemora a quase conclusão do acesso ao Frigorífico Aurora, investimento de R$ 2 milhões na pavimentação de 2 quilômetros do acesso ao núcleo industrial da cidade, feito pelo Governo do Estado. Em contrapartida o governador Reinaldo Azambuja parece ter se esquecido do compromisso, assumido ainda em 2017 da liberação de meros R$ 420 mil, para abertura de pista de 4 quilômetros de acesso ao Frigorífico Balbinos. 

Como o acesso não sai, a empresa não coloca em funcionamento a sala de desossa (já pronta e com todas as licenças aprovadas) que poderia gerar 300 empregos, além de abrir o mercado internacional para a carne beneficiada em Sidrolândia. É que o frigorifico praticamente dobraria o número de abates (podendo chegar a mil animais por dia), dobrando o tráfego de caminhões por ruas estreitas, no bairro mais populoso da cidade.

Como o projeto do acesso não saiu do papel, todo o tráfego diário de 30 caminhões gerado pela indústria, em funcionamento desde dezembro de 2017, continua passando pelo Bairro São Bento, comprometendo o pavimento, além de ser um perigo constante de acidentes.

Sob o peso das carretas, nos trechos asfaltados, os buracos se multiplicam, mesmo com a manutenção realizada pela Secretaria de Obras. Eles são tapados, mas basta uma chuva, para reaparecerem porque o pavimento não foi projetado para absorver tanto peso. Na esquina das ruas Tomas da Silva França com a Antônio Correa da Costa, o cenário é de buracos e bocas de lobo quebradas. Para o aposentado Adélio Martins, que mora ali há mais de 20 anos, as ruas são estreitas e o risco de acidente é permanente.

Maior custo

Além de não liberar os recursos prometidos, mais de uma vez pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, o custo do acesso, que seria de R$ 420 mil, prevendo uma pista (com revestimento primário) de 4 km, deveria triplicar, chegando a R$ 1,5 milhão, para contemplar um sistema de drenagem (provavelmente com uma bacia de detenção) para escoamento das águas pluviais da MS-162 (duplicada entre a rotatória com a BR-060 até a entrada do Complexo de Armazenagem da LAR).

A empreiteira construiu um bueiro sob a pista da rodovia por onde escoa a enxurrada que abriu enormes valetas exatamente na área projetada para ser a pista do futuro acesso.

Pelo visto os engenheiros da Agesul (responsáveis pela elaboração do projeto) ignoraram que ali seria aberta uma rua e que a bacia de detenção da enxurrada não poderia ser feita neste traçado. Será preciso fazer uma tubulação para escoar a água da chuva. Também não foram feitas pistas de desaceleração na rodovia para os veículos (principalmente os caminhões) entrarem ou saírem do acesso.

Falta de projeto

A abertura desta avenida não gerou custos ao município com desapropriações, porque dois proprietários de fazendas que estão no trajeto da via (Paulino Straliotto e Ivone Soares) doaram em 2015, 13,8 hectares das suas propriedades, avaliados em R$ 1,3 milhão. A doação foi intermediada pelo corretor de imóveis, Clédio Santiani.

Outro entrave foi a demora do processo de licenciamento (concedido apenas em 2018 pela Prefeitura) e a falta de projeto executivo que só agora está sendo elaborado. Em fevereiro, o prefeito Marcelo Ascoli, esteve, com o secretário de Infraestrutura, Murilo Zauith, para cobrar recursos para a obra. Até agora não obteve uma resposta conclusiva.