Cargill orienta produtores a redirecionar cargas para Capital e se isenta de pagar custos adicionais do frete

Há uma concentração de pelo menos 70 caminhões, 41 deles há cinco dias não aceitam descarregar o grão.

Há uma concentração de pelo menos 70 caminhões no pátio da empresa. - Foto: Vanderi Tomé/Região News

Diante do entrave logístico em sua unidade de Sidrolândia, que começou há 40 dias e se agravou desde a quinta-feira passada, com caminhões carregados de milho aguardando no pátio e nas cercanias para descarregar, a Cargill distribuiu nota à imprensa em que orienta os produtores da região a direcionar o milho colhido em suas propriedades para complexo de armazenagem da empresa em Campo Grande.

Há uma concentração de pelo menos 70 caminhões, 41 deles há cinco dias não aceitam descarregar o grão enquanto a empresa não pagar pelos dias parados, na base de R$ 1,60 a hora parada por tonelada embarcada. Isto representa R$ 1.420,00 de ressarcimento por dia. A empresa admite ressarcir os produtores, mas se recusa a negociar com os caminhoneiros.

Na nota, a Cargill deixa claro que o custo adicional de frete que a mudança vai acarretar terá de ser custeada pelo produtor, muitos deles, com lavoura num raio de até 50 quilômetros da unidade em Sidrolândia, terão de repactuar os novos fretes com aumento de pelo menos 70 quilômetros (140 km considerando o retorno) no trajeto, distância até Campo Grande.

A dificuldade dos produtores para atenderem a recomendação (além do custo extra) é que não há tantos caminhões disponíveis na região, boa parte deles, estão parados no pátio da Cargill aguardando o descarregamento. Outra preocupação, caso o impasse persista (com o milho permanecendo dentro das carroceiras) é o comprometimento da qualidade do grão que começaria a germinar.

A empresa alega que funciona com sua capacidade máxima de descarregamento, mas o entrave surgiu porque o milho recebido da lavoura estaria muito úmido e com isto, o processo de secagem demora, o que retarda o ciclo de recebimento e armazenagem. Produtores ouvidos pela reportagem garantem que na compra do milho, a Cargill aceitou receber o grão com até 20% de umidade.

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Publicado por Regiao News em Terça-feira, 23 de julho de 2019