Morto degolado em tribunal do crime, jovem venerava facção criminosa

O rapaz era membro da facção e no dia do crime acompanhou, por livre e espontânea vontade, o grupo que o mataria.

Bruno numa das dezenas de fotos postadas por ele no Facebook - (Foto: reprodução/Facebook)

Conhecido como Neblina, Bruno Schon Pacheco, 28 anos, julgado e morto no fim de semana por membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) venerava a facção criminosa na internet. Em sua página no Facebook, o rapaz escrevia frases como: "PCC - Dou a minha vida pela a nossa família; Paz, justiça, liberdade, igualdade e união a todos 1533". O número faz referência a ordem das letras P e C no alfabeto. 

O rapaz era membro da facção e no dia do crime acompanhou, por livre e espontânea vontade, o grupo que o mataria, pois acreditava que iria apenas receber um castigo, por dever mais de R$ 2 mil ao "partido". Quando descobriu o que realmente iria acontecer, implorou para não ser morto, mas não adiantou. 

Os suspeitos pelo crime são: Denílson Ramires Cardozo, 29 anos, Carlos Eduardo Osório Martins, 18 anos, Igor de Oliveira Porto, 18 anos, Marcelo Leandro Barbosa Gotardo, 28 anos, e Márcio Aurélio Nascimento. Eles foram presos na madrugada da última quarta-feira (31). Um adolescente de 17 anos também foi apreendido. 

O corpo de Bruno foi encontrado no início da tarde de segunda-feira (29), em área de mata nos fundos da área invadida da construtora Homex, na região sul de Campo Grande. Os criminosos, segundo a polícia, tentaram decapitar a vítima, mas não conseguiram. Abandonaram o corpo e fugiram. No dia 2 deste mês, Bruno havia sido sequestrado pela facção, mas escapou do assassinato ao ser resgatado pela Polícia Militar. Ele é filho de Wild Pacheco, condenado por assassinar o policial federal Fernando Luís Fernandes, em dezembro de 1989, na Capital. 

Crime - No sábado à noite, Bruno estava na casa de amigos, no Bairro Santo Antônio, quando foi levado pelo grupo num VW Golf dourado. Antes de entrar no carro, Bruno comentou com um dos colegas que "havia escolhido essa vida e precisava resolver seus problemas com o partido (se referindo à facção)". Ele acretiva que iria apenas receber umas "madeiradas" e depois seria liberado.

A vítima foi levada para uma residência no Bairro Los Angeles, mas como havia movimentação da polícia na região, foi para outro local onde ficaram até por volta das 5h de domingo (28) fumando maconha. Em momento nenhum, segundo relato do grupo, Bruno tentou escapar. Um dos mandantes do crime foi identificado pelo apelido de Chapadão. Atualmente, ele está preso no Presídio de Segurança Máxima Jair Ferreira Carvalho. 

Um dos suspeitos de participação no assassinato afirma que ainda não era batizado pelo PCC, mas tem "Chapadão" como padrinho. Já os outros tinham funções definidas dentro facção. Os envolvidos vão responder por homicídio duplamente qualificado. A faca usada no crime foi apreendida. Bruno era dono de uma extensa ficha criminal, com passagens por roubo, tráfico de drogas e tentativa de homicídio.