Preso por feminicídio, ex-sindicalista é denunciado pelo MP por ter desviado R$ 14 mil do Sindaves

Ex-sindicalista Eder Clemente será interrogado na audiência de instrução e julgamento do processo em que é acusado de desvio.

Ex-sindicalista Eder Clemente de Souza, preso desde abril do ano passado foi denunciado por desvio - Foto: Marcos Tomé/Região News

O ex-sindicalista Eder Clemente de Souza, preso desde abril do ano passado, quando matou com 10 facadas a mulher Edmarcia Cintia da Silva, será ouvido pelo Ministério Público no próximo dia 20 a partir das 15h30, por videoconferência. Será interrogado na audiência de instrução e julgamento do processo em que é acusado de ter desviado R$ 14 mil do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Carnes e Derivados, quando ocupava, em 2015, o cargo de tesoureiro da entidade.

A promotora Janelli Basso ofereceu denúncia contra Eder, incurso no artigo 115, & 4º, inciso II do Código Penal, furto, com abuso de confiança, que lhe pode render, em caso de condenação, pena de até 8 anos de reclusão. Na mesma audiência serão ouvidos como testemunhas de acusação, Joel dos Santos da Cruz, na época vice-presidente do Sindicato; Andréia Gamarra, diretora; Marlei Chimenes Areco, secretária da Juventude; Sérgio Bolzan, presidente; Abimael Maciel dos Santos, então membro do Conselho Fiscal; Pedro Luiz Ruano; Julio de Souza Silvério e a contadora Michele Aparecida Lopes.

Na época, diante das conclusões de uma comissão de inquérito aberto pelo Sindicato, que levantou provas do desvio, Eder renunciou as suas funções na diretoria, após confessar o furto. Na fase do inquérito policial, colocou-se como vítima de perseguição por parte do então presidente do Sindaves, Sérgio Bolzan, que supostamente o queria fora da entidade.

A comissão de inquérito, integrada por 9 diretores da entidade, com o suporte da contadora do Sindicato, Michele Lopes de Araújo, levantou documentos e depoimentos, que comprovaram o desvio de recursos perpetrados pelo tesoureiro. Apurou-se, por exemplo, que Eder lançou como pago seis boletos da contribuição devida à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação. O dinheiro saiu do caixa, mas o Sindicato continuou em débito com a Confederação.

Foi encontrado recibo, emitido em 10 de agosto de 2008, referente ao pagamento de contribuições em atraso devida pelo associado Abimael Maciel dos Santos, mas o dinheiro não entrou no caixa do Sindicato. A mesma estratégia ele utilizou em relação as mensalidades recolhidas pelos associados Francisco da Silva e Marlon Maciel.

Houve o suposto pagamento no dia 9 de novembro de 2015, de R$ 133,65 para a Eldorado Material de Construção, mas o material não foi retirado. Ele teria usado recursos da entidade (R$ 108,00) para a compra de água mineral na Planalto Conveniência; livros infantis na Livraria Paulo Freire (R$ 109,60) e pagou R$ 3.211,00 (2 de fevereiro de 2015) por serviços não realizados por um funileiro fictício, por ele identificado como Julio Pereira de Souza.

Também foram constatados pagamentos em duplicidade (R$ 902,00) para o Auto Posto Pé de Cedro; de boletos referente a prestação do financiamento do veículo da entidade (R$ 749,97). A comissão apurou ainda que Eder se apropriou de R$ 2.300,00 que recebeu do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Vestuário, destinada a custear as despesas da Festa do Trabalhador de 2015.