Sorridente e vibrante, Pia já deixa sua marca na seleção feminina

Técnica não desgrudou do seu caderninho de anotações e vibrou com a vitória contra a Argentina

Pia Sundhage recebeu o carinho do público na sua estreia - Foto: Talita Gouvea/MyPhoto Press/Estadão Conteúdo

O sorriso aberto e franco e a vibração espontânea foram as marcas da técnica Pia Sundhage em sua estreia no comando da seleção brasileira feminina de futebol. Atenta a tudo o que acontecia em campo no Pacaembu, a bicampeã olímpica não desgrudou do seu caderninho de anotações e vibrou com cada gol da vitória por 5 a 0 sobre a Argentina, na noite de quinta-feira, em partida válida por um quadrangular amistoso.

A carismática treinadora, acostumada a esbanjar simpatia e sorrisos, acompanhou o início da partida com uma postura mais discreta. Mas não demorou para se soltar na área técnica da seleção e, em poucos minutos, já caminhava de um lado para outro, com seu conhecido estilo agitado de ser.

A vibração crescia a cada gol das brasileiras. Se o primeiro foi celebrado com aperto de mão com os demais membros da comissão técnica, o último teve direito a pulinhos e gritos de alegria em direção ao elenco em campo.

Durante praticamente todo o jogo, Pia esteve em pé na área técnica. Sempre atenta a cada movimento da equipe em campo, anotava tudo num caderninho suas observações sobre o jogo e conversava constantemente com os demais membros da comissão técnica. A técnica parecia gostar do que via no gramado, apesar da fragilidade exibida pela Argentina, o que facilitou a goleada

Ela aproveitava cada breve paralisação do jogo para falar diretamente com as jogadoras, sem precisar de tradutora. A sueca de 59 anos fala inglês, mas vem fazendo aulas de português para facilitar sua comunicação com todo o elenco. Nem todas as jogadoras da seleção compreendem a língua inglesa.

Enquanto esboça as primeiras palavras em português, Pia conta com o apoio da auxiliar técnica Beatriz Vaz e do preparador físico Fábio Guerreiro, que fazem as vezes de tradutores para a treinadora.

Em sua estreia, Pia deixou sua marca tanto no banco de reservas quanto no estilo de jogo da seleção. Já foi possível notar mudanças sutis na equipe nacional, mais compacta e organizada em campo, principalmente na defesa, maior ponto fraco do time. A disciplina tática, ainda inicial na seleção, também foi algo perceptível no grupo.

"Com certeza, com a chegada da Pia, muita coisa já mudou. Estamos mais organizadas, mais compactas", afirma a meia Debinha, em entrevista ao canal Sportv. "O time já está ficando um pouco com a cara dela", concorda a lateral-esquerda Tamires.

Pia foi contratada no dia 25 de julho para substituir Vadão, que não conseguiu levar a seleção além das oitavas de final do Mundial da França, no mês passado. Para dar um salto evolutivo no time, a CBF contratou uma das treinadoras mais experientes do mundo, responsável por levar os Estados Unidos ao bicampeonato olímpico em Pequim-2008 e Londres-2012. Foi ainda vice nos Jogos do Rio-2016, no comando da Suécia. E vice no Mundial de 2011, pelo time norte-americano.

Depois de atrair 13.180 torcedores ao Pacaembu, a seleção de Pia volta a campo no domingo, às 13 horas, para a final do quadrangular amistoso, contra o Chile, que ganhou da Costa Rica.