Candidato a melhor do mundo, Ederson põe Alisson à frente e lembra bronca de Guardiola

Jogador faz coro contra a homofobia no futebol: "Não tem cabimento"

- Foto: Raphael Zarko

Indicado ao prêmio Fifa The Best de melhor goleiro do mundo, Ederson conversou nesta quarta-feira com os jornalistas em mais uma coletiva da seleção brasileira, em Miami. O lado curioso é que o jogador do Manchester City concorre ao prêmio com Ter Stegen, do Barcelona, e seu compatriota Alisson, do Liverpool. Para ele, Alisson "está um passo à frente".

Em papo descontraído, o goleiro de 26 anos, nascido em Osasco e que jogava de lateral-esquerdo até os 11 num time da comunidade em que nasceu, lembrou do ídolo Rogério Ceni e de outra referência que tem no futebol, o técnico no Manchester City, Pep Guardiola.

Conhecido também por boa saída de bola - sempre incentivada pelo treinador espanhol -, Ederson foi questionado se se arriscaria a bater faltas e pênaltis como o ídolo Rogério. Nos treinos em Miami, impressionou com chute certeiro de 70 jardas no campo de futebol americano. O goleiro lembrou do dia em que irritou o consagrado técnico.

- Quando comecei a jogar eu gostava de bater falta, pênalti, mas hoje em dia já não tenho tanta ambição para isso. Uma vez, a gente estava goleando por 5 a 1, acho, e a torcida pediu para eu bater pênalti. Na zona mista me perguntaram e eu disse que queria bater. O Guardiola ficou p... - divertiu-se o goleiro brasileiro.

Com personalidade, o goleiro do City se posicionou sobre a campanha contra a homofobia no futebol brasileiro. Lembrou que nunca ouviu gritos de "bicha" tão comum em estádios sul-americanos e que gerou punições recentes.

- Acho que é bom existir isso. Uma coisa é xingar de filho de não sei o quê, mandar para aquele lugar. Agora, falar que é viado, bicha não tem porquê. Homofobia não tem cabimento - disse.

Lateral do Champions de Osasco

Ederson falou sobre a disputa com o ex-arqueiro colorado, que não foi convocado por estar machucado. Brincou que se pudesse votar, claro, votaria nele próprio. E mostrou muito respeito pelo companheiro de seleção, campeão da Copa América como titular.

- Acho que os três (contando Ter Stegen) foram os melhores, mas eu vejo o Alisson um passo à frente, fez um grande campeonato, ganhou a Champions e fez uma grande Copa América também. Quem vencer vai ser merecidamente, e eu fico feliz por dois goleiros brasileiros estarem disputando esse prêmio - disse Ederson, que espera um amistoso complicado contra a Colômbia, no próximo sábado.

Com apenas cinco jogos pela Seleção, Ederson quer aproveitar a brecha que Alisson deu pela lesão. A comissão técnica tem a intenção de fazer jogadores com menos experiência atuarem por mais tempo nos próximos amistosos, antes das eliminatórias.

- Vai ser um jogo muito complicado. Espero que a nossa Seleção faça uma boa partida e os jogadores que tiverem a oportunidade de começar façam um bom jogo.

Em retrospectiva da carreira, Ederson lembrou do início em Osasco. Jogou numa equipe da comunidade em que nasceu chamada Champions Ebénezer FC. Lá, era lateral-esquerdo até os 11 anos - "para subir era tranquilo, mas para voltar tinha que ir de táxi" -, mas depois foi para o gol e não saiu mais. O jogo com os pés vêm também do futebol de salão, que praticou na sua cidade.

- Nesses momentos passa um filme na cabeça, de todas dificuldades que vivi até aqui. Para treinar pegava duas conduções, não almoçava e ia direto pra escola. Chegava par jantar e dormir. Meu pai se sacrificava e, mesmo com o joelho rompido, trabalhava para sustentar a família. Mesmo com o joelho rompido, trabalhava no Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais) para não deixar faltar nada para os filhos - contou.

Hoje referência mundial na posição, Ederson nunca atuou por um clube brasileiro. Dispensado da base do São Paulo, o então adolescente cruzou o Atlântico para integrar o sub-17 do Benfica, de Portugal. Fã de Rogério Ceni, Ederson disse não guardar mágoa do São Paulo e vê sua história de superação como exemplo para as novas gerações.

- Muitos garotos têm o sonho que você teve, iniciam de baixo, com dificuldades para crescer. Eu acho bom os jogadores contarem as histórias de superação, porque a garotada hoje desiste facilmente, e a gente contando nossa historia consegue incentivar mais crianças. Com 15 anos, eu fui dispensado do São Paulo, e nunca guardei mágoa do São Paulo. Apenas pela forma como fui dispensado, mas não guardo mágoa nenhuma do clube.