Em Sidrolândia, acidentes com motorista embriagado são rotina, mas mesmo com morte, ninguém fica preso

Ocorrências de trânsito em que o pivô dos acidentes está embriagado, tem se repetido sem maiores consequências para os responsáveis.

Valdemir Amorim da Silva, no último dia 20 de julho atropelou e matou o enteado Evandro de Souza Martins - Foto: José Arimatéia

Enquanto a posse no último dia 31 de março, de 11,8 gramas de pasta base e 3.8 gramas de cocaína, custou a Welliton Prado de Lima, pena de 5 anos de reclusão, a ser cumprida em regime fechado até o julgamento do recurso, motoristas embriagados, que provocaram acidentes, alguns com morte, estão em liberdade.

Foi o caso de Valdemir Amorim da Silva, que no último dia 20 de julho atropelou e matou o enteado Evandro de Souza Martins (que estava numa motocicleta), na MS-162, perto do núcleo urbano do Distrito de Quebra Coco. Valdemir foi preso em flagrante, mas ganhou liberdade após pagar fiança de um salário mínimo. Responde a processo por homicídio culposo (quanto não há intenção de matar).

A Polícia Militar tem 12 policiais habilitados para fiscalizar e multar os motoristas infratores, mas não dispõe de bafômetro para comprovar o estado de embriaguez dos condutores, o que acaba fragilizando as denúncias. Na última sexta-feira, por exemplo, a guarnição de plantão atendeu ocorrência de acidente na MS-162, proximidades do Assentamento Geraldo Garcia. Os policiais foram chamados porque Guilherme Rafael Miranda, 34 anos, motorista do Fiat Uno placa OQX-7570, que confirmou ter tomado quatro latas de cerveja, acabou capotando.

Guilherme vinha em direção a Sidrolândia quando ao tentar ultrapassar uma carreta, perdeu o controle da direção do Uno que acabou capotando. Para não colidir com a carreta, Ramão Galeano, que seguia para Maracaju na GM D-20 de placa JWM-2020, Campo Grande, foi obrigado a entrar no acostamento e também capotou a caminhonete.

Ocorrências de trânsito em que o pivô dos acidentes está embriagado, tem se repetido sem maiores consequências para os responsáveis. Foi o caso de Elio Jardim Gomes, que no dia 14 de janeiro de 2019, provocou uma dupla colisão e atropelou um ciclista, após passar a tarde bebendo num bar. Elio dirigia o Fiat Uno de placa DWB-8829, cedido para Associação de Apoio aos Portadores do HIV. O acidente foi cruzamento da Avenida Antero Lemes com a Rua Paraíba.

Elio descia com o Uno pela Rua Paraíba, não observou a preferencial da Antero Lemes e acabou batendo no Siena de placa NRW-9520, de Sidrolândia, que vinha pela pista sentido Parque do Vacaria. O motorista do Siena, Luiz Felipe da Silva Lopes, ainda tentou desviar do Uno para evitar a batida, entrou na Rua Paraíba e acabou atropelando o ciclista Paulo Gerci de Assis Góes, 44 anos que também fazia a conversão rumo ao centro da cidade. Com o impacto da batida, o Uno invadiu a calçada e bateu no muro de uma das casas.

Elio deixou o local do acidente e foi preso bebendo no mesmo bar de onde estivera minutos antes. Preso em flagrante, ganhou liberdade após pagar um salário mínimo de fiança, além de ter a CNH suspensa por seis meses. No último dia 13 de agosto, o Detran, manteve a suspensão da carteira de habilitação e cobrou dele aprovação num curso de reciclagem.

No dia 05 de outubro do ano passado, Leomir Furtado foi preso por populares, ao dirigir embriagado um Ford Cargo, atropelar um menino de 10 anos na esquina das ruas Tomas da Silva França com Humberto Campos. Como na época não havia nenhum policial credenciado para atuar como agente de trânsito, se livrou da multa de R$ 13 mil e de perder o direito de dirigir por um ano com a suspensão da CNH sua (Carteira Nacional de Habitação).

Como tinha antecedentes de dirigir embriagado, o delegado não pôde arbitrar fiança e ele teve de aguardar audiência de custódia do juiz. Foi colocado em liberdade três dias depois, após pagar fiança de um salário mínimo. A audiência de instrução e julgamento só acontecerá dia 28 de abril de 2020.

Outro acidente que envolveu motorista embriagado foi registrado no dia último dia 02 de abril. Luiz Carlos Ruver pagou fiança de R$ 1,500,00 e como tem bons antecedentes pode se livrar do processo. A audiência de pronuncia foi marcada para o dia 3 de março de 2020. Além da fiança, foi proibido de frequentar bares e prostíbulos.

Luiz Carlos, dirigindo um Chevrolet Astra de placas EKN-7304 de Sidrolândia, teria perdido o controle da direção e atingiu frontalmente o muro de um terreno baldio. No local os militares encontraram o veículo com a porta do motorista aberta.