Livres do MST, famílias conquistam água, esperam luz e respiram liberdade

Outra meta é a regularização da propriedade, possível, para quem se enquadrar nas regras da Reurb.

Cavalete instalado pela Sanesul no acampamento na antiga esplanada ferroviária - Foto: Vanderi Tomé/Região News

Sem o julgo do MST (Movimento dos Sem Terra) que em junho do ano passado organizou a ocupação da antiga esplanada ferroviária de Sidrolândia, as 136 famílias acampadas criaram uma associação comunitária, entraram na Justiça, conseguiram a instalação da rede de água da Sanesul, abriram ruas e até pediram rondas da Polícia Militar, até então proibida de entrar na área, assim como a imprensa.

“Agora respiramos liberdade. Conquistamos o direito de ir e vir. Isto aqui era uma Síria, uma ditadura", garante o presidente da associação, Valdeir Jardim, empenhado agora em buscar a energia elétrica. Ele denuncia que durante o processo eleitoral do ano passado o MST só permitiu a entrada de candidatos apoiados pelo Movimento. “Quem não votasse neles estaria fora do acampamento”, garante.   

Outra meta é a regularização da propriedade, possível, para quem se enquadrar nas regras da Reurb (Regularização Fundiária Urbana). Ser de baixa renda, não ter outro imóvel em seu nome. O posseiro dos 10 hectares que entrou na Justiça para pedir o despejo das famílias, Nilson Miguel, desde a saída do MST, parece disposto a dividir a área com todas as famílias.

O autoritarismo do MST, que proibia os moradores de dar entrevista e expulsava quem deixasse o acampamento para fazer um familiar num final de semana, foi expulso pela própria comunidade que era obrigada a pagar uma mensalidade de R$ 15,00. A bandeira do movimento social foi retirada do mastro improvisado e seu representante "convidado" a sair da área, depois que as famílias descobriram terem sido vítimas de um golpe.

Desde janeiro o "líder" sem-terra recebia R$ 100,00 de cada morador, para pagar uma conta coletiva da água que vinha de um cavalete instalado num terreno próximo. Embolsou o dinheiro arrecadado no período, em torno de R$ 60 mil e a comunidade ficou duas semanas sem abastecimento. Há dois meses, outro posseiro, Jorge Palma, que até loteou parte da área, está cedendo água, paga de forma compartilhada.  

Para dona Cida, vice-presidente da Associação dos Moradores, agora as famílias estão caminhando com suas próprias pernas. Aposentada por depressão, embora ela tenha casa própria, resolveu acompanhar com as famílias que entraram na antiga esplanada, para ajudar a filha, grávida, enfermeira, mas desempregada, que não teria condições de morar num ambiente precário. "Ela não tem condições de pagar aluguel", argumenta. Quem também tem um barraco no acampamento, é seu filho, Edmar que já começou a construir sua casa.

Outro que está otimista é o motorista, desempregado, Moabe Castro de Oliveira, 35 anos, pai de três filhos. "Moro há 14 anos em Sidrolândia e agora tenho a oportunidade de conhecer uma casa", avalia.

A expectativa é que até dia 15 de outubro a rede de água esteja funcionando. Muitas famílias já compraram as caixas (a R$ 44,00) e estiveram no escritório da Sanesul pedindo a ligação de água, pagando a taxa de R$ 240,00.