Só após 18 anos, com produção de 2 milhões de abacaxi, Santa Terezinha recebe patrulha agrícola

Equipamento foi adquirido com recursos de emenda parlamentar e contrapartida do Governo do Estado.

Patrulha foi entregue no último sábado no assentamento - Foto: Vanderi Tomé/Região News

Um dos poucos assentamentos autossustentáveis de Sidrolândia, com produção anual de 2 milhões de abacaxi, o Assentamento Santa Terezinha esperou 18 anos para receber uma patrulha agrícola, equipamento adquirido com recursos de emenda parlamentar e contrapartida do Governo do Estado. Por razões inexplicáveis, era o único assentamento do município ainda não contemplado com patrulha mecanizada, que chegou antes, por exemplo, ao Nazareth, criado há pouco mais de 5 anos.

No sábado boa parte das 64 famílias se reuniu para comemorar com um churrasco a chegada do trator (e demais implementos), mas também para recepcionar políticos de todas as matizes ideológicas e partidárias. O presidente da Agraer, André Nogueira Bortes, representou o Governo do Estado. Também esteve por lá o prefeito Marcelo Ascoli, o presidente da Funtrab, Enelvo Felini, além de vários vereadores.

A combinação de boa logística (o assentamento fica às margens da BR-060 na saída para Nioaque), solo fértil, mas sobretudo a disposição para o trabalho foi determinante para o Santa Terezinha ser hoje um polo na produção do abacaxi, fruta que há 10 anos surgiu como alternativa à produção de mandioca, verduras e legumes. Parte do agrotóxico que os grandes produtores pulverizam de avião nas lavouras de soja e milho no entorno do assentamento, acaba chegando (empurrado pelo vento) aos lotes, empesteando o ar com seu cheiro forte, mas sobretudo comprometendo o desenvolvimento de horticulturas, como alface, cheiro verde, repolho.

Entre os que se dedicam a produção de abacaxi, estão o irmão e os pais do vereador Itamar Souza, que chegou ao assentamento aos 5 anos de idade e só saiu de lá para fazer o curso de técnico em agrícola em Campo Grande. Um dos mais entusiasmados com a cultura é Benedito Campos, que aos 70 anos, trabalha no lote apenas com a ajuda da mulher. Os filhos cresceram, concluíram faculdade, constituíram família e foram morar na cidade.

Como resultado de 18 anos de trabalho, construiu a casa, tem dois carros, ambos utilizados para transportar e vender a produção da fruta que há 8 anos adotou como atividade principal do lote. Hoje tem 40 mil pés de abacaxi plantados em 1,5 hectare. Entrega os frutos em Campo Grande, no mercado de Sidrolândia, mas também vende na beira da rodovia, na base de 3 abacaxis como R$ 10,00. Em média os assentados vendem o abacaxi por R$ 1,20 o quilo.

Quando entrou no lote, em 2001, construiu um barraco e tinha apenas uma bicicleta, porque vendeu praticamente tudo o que tinha (inclusive um Ford Del Rey) para sobreviver enquanto permaneceu acampado. Por muito tempo sobreviveu da venda da mandioca que cultivava em 0,5 hectare. Levava a produção para vender na cidade, no banco de traz de um Fusca velho.

Algumas famílias fizeram parceria com grandes fazendeiros da região e cultivam lavouras de soja e milho, mas há aqueles que estão dispostos a vender seus lotes de 15 hectares, avaliados em R$ 250 mil.

Produtores recebem trator com implemento para produção de abacaxi em Sidrolândia

Os 64 produtores de abacaxi do assentamento Santa Terezinha, passam a contar com a ajuda de uma patrulha mecanizada na produção de abacaxi. Veja a reportagem.

Publicado por Regiao News em Domingo, 6 de outubro de 2019