Promotoria pede internação de órfão de 14 anos, analfabeto, usuário de droga

Usuário de drogas desde os 10 anos, vive pelas ruas, já foi apreendido inúmeros vezes pela Polícia.

Promotoria pede internação de (W.S.V), ainda analfabeto, com problemas mentais - Foto: Vanderi Tomé/Região News

A promotora Clarissa Carlotto Torres protocolou na última quinta-feira, 28 de novembro, na 2ª Vara Cível – da Infância e da Juventude, ação com pedido de liminar em caráter de urgência, para que a Justiça determine ao município, internação compulsória numa clínica especializada, de um menino de 14 anos (W.S.V), ainda analfabeto, com problemas mentais.

Usuário de drogas desde os 10 anos, vive pelas ruas, já foi apreendido inúmeros vezes pela Polícia, por porte e venda de entorpecentes, ameaças e prática de pequenos furtos. Oriundo de ambiente de desestrutura familiar, órfão de mãe desde o ano passado, é dos muitos garotos que o tráfico tem recrutado para reforçar seus quadros.

No dia 23 de setembro do ano passado W.S.V perdeu a mãe assassinada. Priscila Maria da Cruz, foi morta com um golpe de faca no peito, desferido por Fábio Duarte de Souza. O crime aconteceu num bar na Rua Prudente de Moraes e teria se motivado pelo desentendimento gerado por uma dívida de drogas. Fábio teria ficado irritado com Priscila, porque ela o vinha cobrando de forma insistente.

Fábio Duarte foi preso. Faca usada no crime foi apreendida.

W.S.V não foi criado pelo pai, também dependente químico, que já foi preso por ter batido na própria mãe. Esporadicamente vai na casa do avô, já idoso, aposentado e que mantém um bar no Bairro São Bento. No último dia 25 de novembro, numa das últimas apreensões, passou por consulta do psiquiatra Luiz Gustavo Ribeiro. Além da constatação de que é dependente químico, o médico o diagnosticou com problemas mentais.

Do consumo de drogas, a travessia para a prática de furtos como forma de financiar o vício, foi inevitável. No último dia 19 de junho, por exemplo, o garoto foi flagrado por volta das 22 horas no cruzamento das ruas João Márcio Ferreira Terra com São José. Aos policiais confessou que ganhava a vida com a venda de droga na Praça do São Bento, chegando a faturar R$ 200,00 por dia com o comércio ilícito. 

De volta às ruas, voltou a ser flagrado vendendo drogas, seis dias depois. Desta em vez na Rua Rodrigues Alves Nantes, perto dos armazéns da Cargil, em companhia de dois adolescentes, um deles, a jovem M.E.A, de 14 anos, que semana passada, foi surpreendida quando estava em videoconferência num tribunal do crime comandado por um líder do PCC, Renato de Souza Silva, o Oclinhos, preso na Penitenciária de Segurança Máxima em Campo Grande.

Uma guarnição da PM interrompeu o "julgamento" do pintor Ronildo Franco, que escapou de ser espancado até a morte sob acusação de ter desaparecido com duas pedras de crack de propriedade da organização criminosa.