Caso seja candidato, Zeca terá desafio de atrair aliados e pode inviabilizar reeleição de Marcelo

O projeto só se sustentaria na hipótese, em princípio improvável, de que o prefeito Marcelo Ascoli desista da disputa.

Prefeito Marcelo Ascoli e o ex-governador Zeca do PT - Foto: Vanderi Tomé/Região News

Embora conte com a grife partidária do PT, que mesmo desgastada nacionalmente, mantém eleitores fiéis entre assentados e populações indígenas, que tem uma relativa expressão numérica na população sidrolandense, caso se transforme em decisão disputar a Prefeitura de Sidrolândia, projeto ainda em fase embrionária, o ex-governador não terá uma tarefa fácil pela frente. Se na disputa estiver o ex-prefeito Daltro Fiuza, apontado como favorito pelas últimas pesquisas de intenção de voto, aí então, a margem de manobra do petista para formar alianças se estreita ainda mais.

O projeto só se sustentaria na hipótese, em princípio improvável, de que o prefeito Marcelo Ascoli desista da disputa e eventualmente se contente em fazer uma composição com Zeca. Hoje o PT controla duas secretarias (Assistência Social e Desenvolvimento Rural), além de dezenas de militantes ocupantes de cargos em comissão.

Em meio as articulações, a oposição, no lado mais conservador deve ser representada pelo ex-prefeito Enelvo Felini, que tem laços políticos históricos com o agronegócio (carro-chefe da economia local) e Daltro Fiuza, legitimado por quatro mandatos de prefeito e que também encontra apoio entre os produtores (ainda que de forma minoritária), mas tem um perfil populista que lhe garante forte penetração entre os segmentos mais pobres da população.

Embora tenha o 11º PIB, seja o segundo maior polo agrícola do Estado, dos seus estimados 58 mil habitantes, 28 mil (48%) tem renda familiar de até três salários, dos quais, 11.364, sobrevivem com renda per capta mensal de R$ 89,00, vivem em condições de extrema miséria. Se no plano estadual neste segmento Zeca tem mais apelo eleitoral, no caso de Sidrolândia, quem tem mais popularidade é Daltro Fiuza.

A ideia de formar um arco de alianças da esquerda em Sidrolândia, na prática, se revela inviável. Isto porque, com exceção do PT, que tem um vereador, as legendas com este viés ideológico, no plano municipal, são controladas por grupos políticos sem este perfil. O PDT, por exemplo, um aliado tradicional petista no plano nacional, tem dois vereadores; Carlos Henrique e Waldemar Acosta.

O presidente da Câmara deve migrar para o PSDB. Waldemar, que atualmente é o presidente do Diretório Municipal da legenda, em princípio não parece motivado a disputar a 3ª reeleição, para um quarto mandato.

O ex-vereador Antônio Galdino, que com 470 votos, garantiu a primeira suplência, foi para o PT. A professora Aletuza Nantes (que também teve 470 votos) estaria descontente com o partido. O PSB, outra legenda (pelo menos na sigla, de esquerda), em Sidrolândia está sob a órbita de influência do deputado estadual Gerson Claro, embora o parlamentar tenha sido eleito pelo PP. O único vereador do partido, Edno Ribas, deve se transferir para o Partido Progressista, de Claro.