MS tem mais de 4 mil itens de traficantes para leilão

A documentação incompleta de muitos desses bens tem prejudicado a venda

Caminhão apreendido com mais de meia tonelada de maconha na fronteira - - Foto: Divulgação

Mato Grosso do Sul tem mais de quatro mil itens confiscados de traficantes para serem levados à leilão. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam para 4.071 bens armazenados em pátios policiais do Estado, mas 1.122 (28%) estão com a documentação incompleta. A maioria é de eletrônicos (645), seguido de veículos (382). São caminhões, caminhonetes e automóveis apreendidos no transporte de drogas e que tiveram perdimento em favor da União, para serem levados a leilão.

Por conta desse quadro, atualmente a grande preocupação da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) é identificar corretamente esses bens apreendidos para dar agilidade ao processo de venda. Em 2019, a Senad arrecadou aproximadamente R$ 4,5 milhões com o leilão de bens apreendidos do tráfico. Até 40% desse total, que é destinado ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad), retornam para as polícias responsáveis pela apreensão, sendo revertido em investimentos em estrutura, equipamentos e aquisição de outros instrumentos de repressão ao tráfico.

FACILIDADES

Por meio do Projeto CheckIn, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas passa a autorizar agentes policiais a inserirem informações e dados para atualização dos patrimônios apreendidos em operações e que ainda estão armazenados nos pátios das delegacias pelo País.

Ainda conforme a secretaria, há muita falta de informação sobre os bens apreendidos, o que tem dificultado a sua venda. Hoje o acervo de 12.823 bens apreendidos e que ocupam pátios policiais de São Paulo, por exemplo, 3.695 (29%) estão com a documentação incompleta. A maioria é de produtos eletrônicos (1 538), em seguida veículos (1.673).

O Projeto CheckIn é uma plataforma que permite aos policiais fazerem a inclusão de dados de bens recolhidos no âmbito de operações contra organizações do tráfico.

Para a Senad, a definição da localização exata dos bens tomados do tráfico é fundamental para direcioná-los à venda por meio de leilões. A meta é evitar a rápida desvalorização dos patrimônios e a geração de custos de manutenção para o Estado.

Por outro lado, uma das estratégias de atuação da Polícia Federal nos últimos anos tem sido atacar as finanças dos grupos criminosos, principalmente do narcotráfico. Esse tipo de ação  ajuda a desmontar os grupos, dificultando ou mesmo inviabilizando a sua reativação. Somente no ano passado, a a Polícia Federal conseguiu atingir mais uma vez uma cifra expressiva de solicitações de sequestro de valores que circulavam no crime organizado. Em decorrência de investigações de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, foi possível bloquear mais de R$ 650 milhões, dinheiro que deixou de financiar ações criminosas em vários países.

Os números confirmam o empenho da Instituição em promover a descapitalização financeira de organizações criminosas. O trabalho da PF consiste na identificação dos fluxos desses capitais provenientes de crimes e, em decorrência disso, posterior sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias dos integrantes desses grupos. O foco do trabalho da PF na descapitalização financeira de grupos envolvidos com lavagem de dinheiro do tráfico de drogas rendeu, nos últimos cinco anos, a retirada de circulação de mais de R$ 2 bilhões.