Mulher pode ser a quinta vítima de dengue hemorrágica no Estado

Aumento de casos da doença resultam em medidas para combater o Aedes aegypti.

Moradores descartam pneus, móveis e eletrodomésticos em ponto de coleta - - Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

Com suspeita da quinta morte por dengue hemorrágica, Mato Grosso do Sul entra em alerta com o aumento dos casos da doença. A possível vítima foi identificada como Célia Alves e residia em Nova Andradina, cidade localizada a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretária de Estado de Saúde (SES), por enquanto, o óbito é tratado como suspeita de dengue hemorrágica, sendo que os exames necessários para identificar a causa serão realizados no Laboratório Central (Lacen), em Campo Grande. O resultado só será divulgado na quarta-feira, 29 de janeiro, com a publicação do boletim epidemiológico do estado.

Segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria no dia 22 de janeiro, Mato Grosso do Sul registra 3.195 notificações de dengue, sendo 621 casos confirmados da doença. Em relação aos óbitos, o Estado registrou quatro mortes nas cidades de Campo Grande, Corumbá, Cassilândia e Sete Quedas. As vítimas tinham idades entre 17 e 67 anos.

Medidas

A Prefeitura Municipal de Campo Grande lançou na última quarta-feira, a operação de prevenção e combate ao Aedes aegypti, intitulada “Mosquito Zero – É matar ou morrer”. A megaoperação, que tem a participação de diversos órgãos do município, instituições públicas e privadas, estabelece uma série de ações contra o mosquito da dengue, que além da doença também transmite Zika e Chikungunya.

Os trabalhos incluem a limpeza de terrenos públicos, transporte de materiais inservíveis descartados, alocação pontual e temporária dos descartes em locais previamente definidos, fiscalização e autuação de descartes irregulares, visita às casas pelos agentes de combate às endemias para detecção de focos, limpeza, orientação e conscientização da população sobre os riscos e consequências das doenças transmitidas pelo mosquito.

A principal novidade foi a abertura de quatro pontos de transbordo para que os moradores de diversas regiões possam fazer o descarte de materiais de grande e pequeno volume, como geladeiras, televisores, sofás e camas.

Por enquanto, os pontos estão localizados na Avenida Amaro Castro Lima com Avenida Nova Campo Grande (lateral Escola Municipal Fauze Scaff Gattass Filho). Na área 2, o descarte pode ser feito no Acesso Nice com Rua Principal, 5, no Núcleo Industrial.

Já na área 3, o ponto está na Rua Itamirim e Rua Antônio Pereira Veríssimo, nos Altos do Panamá. Enquanto na área 4, o Ecoponto Panamá fica na Rua Sagarana com Avenida José Barbosa Rodrigues, Bairro Panamá.

A expectativa é de que até abril as sete regiões de Campo Grande tenham recebido uma ação semelhante, conforme cronograma pré-definido, que começa na primeira semana com o Imbirussú e segue com Anhanduizinho (2ª semana), Bandeira (3ª Semana), Prosa (4ª Semana), Lagoa (5ª semana), Segredo (6ª semana) e Centro (7ª semana).

Infestação pelo Aedes

Conforme o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo o Aedes aegypti (LIRAa), sete áreas de Campo Grande foram classificadas com o risco de surto de doenças transmitidas pelo mosquito. O número de áreas em alerta praticamente dobrou, em comparação com o último Liraa divulgado em novembro do ano passado, passando de 22 para 42 áreas.

O índice mais alto foi detectado na área de abrangência da USF Iracy Coelho, com 8,6% de infestação. Isso significa que de 233 imóveis vistoriados, em 20 foram encontrados depósitos. A área da USF Azaleia aparece em segundo com 7,4% de infestação, seguido da USF Jardim Antártica, 5,2%, USF Alves Pereira, 4,8, USF Sírio Libanês, 4,4%, Jardim Noroeste, 4,2% e USF Maria Aparecida Pedrossian (MAPE), 4,0%.

Dados epidemiológicos

Durante todo o ano de 2019, foram registrados 39.417 casos notificados de dengue em Campo Grande, sendo 19.647 confirmados e oito óbitos. Apesar dos números expressivos, impulsionados pela epidemia do último ano, o mês de dezembro fechou com aproximadamente 45% a menos de casos registrados no ano anterior.