Denunciado 2 vezes pelo MP, ex-funcionário da APAE pode ser condenado até 16 anos de cadeia

Se as denúncias do Ministério Público forem aceitas pelo Judiciário, os três se tornam réus, no caso de Glauciomar, duas vezes.

Glauciomar Oliveira da Silva, acusado de ter desviado recursos da APAE. - Foto: Reprodução/Facebook

A promotora Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira denunciou por furto e furto qualificado, o ex-funcionário da APAE de Sidrolândia, Glauciomar Oliveira da Silva, acusado de ter desviado da entidade entre 2015 e 2017, R$ 524.358,92, valor comprovado por auditoria. A irmã dele, Graciléia Oliveira e a mulher, Jaqueline de Oliveira Nogueira, também foram denunciadas, elas apenas por furto, porque parte dos recursos desviados foi para contas bancárias em nome das duas.

Se as denúncias do Ministério Público forem aceitas pelo Judiciário, os três se tornam réus, no caso de Glauciomar, duas vezes. A combinação de pena dos dois crimes, pode chegar a 16 anos de cadeia, na eventualidade do juiz aplicar a pena máxima prevista no código penal. Em cada crime, as penas previstas variam de 2 a 8 anos.

Embora em 2018 tenha fechado acordo, homologado pela Justiça, para devolver parte do dinheiro desviado ao longo de 10 anos em que trabalhou na APAE, controlando praticamente sozinho as finanças da instituição, Glauciomar não se livrou da ação penal que pode lhe render alguns anos de cadeia.

A denuncia por furto qualificado (que se caracteriza quando o crime é cometido mediante fraude ou abuso de confiança), se lastreia no depoimento e provas apresentadas pelo pecuarista Daniel Correia Silvério. Dia 21 de setembro de 2017, ele esteve na APAE onde entregou a Glauciomar dois cheques no valor total de R$ 3.600,00 (um de R$ 2.300,00 e outro de R$ 1.300,00) em pagamento dos bens que havia arrematado no leilão beneficente que anualmente é promovido pela entidade.

No dia seguinte, ao consultar sua conta, constatou que os cheques haviam sido compensados, sendo os valores depositados na conta da irmã do então funcionário, Glaciléia, que fazia as vezes de laranja dele

Ao ser questionado pela diretoria sobre o destino dado aos R$ 3.600,00, Glauciomar alegou que havia gasto com o transporte do gado colocado à venda no leilão, mas não apresentou nenhum recibo. Com seu afastamento das funções, foi iniciado um pente nas contas da entidade quando se constatou que este não era um caso isolado, com outros sócios relatando situações semelhantes à do pecuarista Daniel. 

No dia 12 de dezembro, Glauciomar apresentou ao presidente da época, Glaucio Eidi, recibo com o valor depositado na conta da entidade. 

No depoimento que prestou à Polícia Civil, Daniel Correia lembrou que o pai dele, Harley Ferreira Silvério, foi um dos fundadores da APAE e a família sempre colaborou com a instituição.

Revelou que há pelo menos três anos começou a duvidar da honestidade do ex-funcionário. Em 2015, Glauciomar se recusou a entregar o recibo do pagamento em cheque de bens que arrematara no leilão. Foi convencido pelo próprio pai e demais dirigentes, a não levar adiantar suas suspeitas, já que até então, ele (Glauciomar) aparentemente agia com correção. Achou estranho o fato dele, com salário de pouco mais de R$ 6 mil, ostentar pelas redes sociais um padrão de vida incompatível com esta renda, inclusive o registro fotográfico de um cruzeiro marítimo.

Depoimentos

No inquérito foram ouvidos também o ex-prefeito Ari Basso, o médico José Stefanello e se comprovou 15 casos em que Glauciomar embolsou o dinheiro destinado a APAE por colaboradores. Por exemplo, dois cheques do ex-prefeito, emitidos em 2016 e 2017, um de R$ 3.500,00 e outro de R$ 15.950,00, foram parar na conta de Glaciléia. O mesmo destino teve os R$ 80 mil (R$ 60 mil em espécie) que o produtor rural Luiz Carlos Piana, entregou ao ex-funcionário, em pagamento de bens arrematados no leilão. O cheque de R$ 1.300,00 de Aurea Teresa Correa, também foi desviado. 

Direto para conta de Glauciomar foram os seis cheques emitidos por Alfredo Marques Machado Junior, somando R$ 24.755,00, referentes a bens arrematados nos leilões de 2016 e 2017. O cheque de R$ 1.100,00 de Celina Ferreira Correa foi para a conta de Glauciléia.

O cheque do médico José Stefanello de R$ 1.750,00, referente ao lance do touro que arrematou, foi parar na conta da mulher do ex-funcionário, Jaqueline, quem também recebeu outros dois cheques no valor de R$ 750,00, emitidos por Paulo Sérgio Calerço e Valdelino Oliveira. O ex-funcionário devolveu os R$ 19.450,00 referentes aos cheques do ex-prefeito Ari Basso e mais o valor de R$ 1.750,00, pago pelo médico José Stefanello.