Em MS, partido de Bolsonaro tem o dobro de adesões necessárias

“Fizemos o dever de casa”, afirmou o deputado federal Luiz Ovando sobre assinaturas

Convenção do novo partido reuniu lideranças e correligionários no início de fevereiro - - Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado

O Aliança Pelo Brasil (APB), partido que o presidente da República, Jair Bolsonaro, está tentando criar, já tem mais que o dobro do número necessários de assinaturas em Mato Grosso do Sul. A informação foi divulgada pelo deputado federal Luiz Ovando (PSL). “Aqui estamos bem confortáveis, temos 3.007 fichas válidas, mais da metade”, afirmou.

Ovando disse também que se for usar o Estado como base, “com certeza”, as outras regiões também atingiram a meta.

Ao ser indagado sobre o motivo pelo qual o partido não deve ser criado ainda para as eleições de outubro de 2020, Ovando disse que é porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está com problemas técnicos para legalizar as filiações. “Eles (TSE) falaram e eu tenho que acreditar”, disse o parlamentar.

Porém, para Luiz Ovando, ainda está cedo para dizer que o partido não será criado. “Temos até o dia 4 de abril, um mês ainda. Até lá pode acontecer muita coisa”,

O deputado federal adiantou que nesta semana a organização do partido está programando reunião em Brasília para oficializar as informações. “Eu sei que tem mais de 500 mil (fichas)”, afirmou Ovando.

PSL

Em outubro de 2019 o presidente Jair Bolsonaro recomendou a um apoiador que ele esquecesse do PSL, antigo partido ao qual Bolsonaro era filiado e que acabou saindo por conflitos internos na sigla. Desde então, de acordo com informações do Estadão Conteúdo, 7.739 pessoas seguiram a orientação do presidente e deixaram o PSL. Em média, foram 66 desfiliações por dia, conforme dados divulgados pelo TSE.

Em Brasília, de acordo com o deputado Luiz Ovando, 26 deputados federais estão aguardando decisão judicial para também aderirem a debandada e saírem do partido. “Agora não está mais nas mãos do presidente (Luciano Bivar), isso é à nível nacional, virou caso da Justiça”, afirmou o parlamentar.

Mato Grosso do Sul tem dois deputados estaduais pelo PSL, Coronel David e Renan Contar, porém, apenas o primeiro tem ação na Justiça, na tentativa de deixar a sigla.

As motivações de David são diferentes dos demais que pretendem sair do PSL. O parlamentar sul-mato-grossense decidiu sair do partido após desentendimento com a presidente da sigla estadual, senadora Soraya Tronicke. Quando a senadora assumiu o mandato, ela logo destituiu David do cargo de presidente do PSL municipal e deu o espaço para Renan Contar.

Além disso, Soraya escolheu Contar para ser o candidato a prefeito de Campo Grande pelo PSL, no lugar de David.

Porém, se o Aliança Pelo Brasil não for criado a tempo, Coronel David já adiantou que vai migrar para o DEM, caso saia a decisão judicial a seu favor. “Mas pode ser que neste fim de semana tenhamos uma surpresa”, declarou o deputado sobre a possibilidade de ir para outro partido.

De acordo com Ovando, existem mais de 600 assinaturas no Estado que estão inaptas. O motivo é que essas pessoas não pediram desfiliação do antigo partido e isso leva tempo. “Eles precisam encaminhar requerimento para o partido, pedindo a desfiliação e por meio de carta é emitido a liberação”, explicou o deputado. Em seguida, o desfiliado precisa levar o documento para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para legalizar a desfiliação e se tornar apto a filiar-se em outra sigla.

Para ajudar no processo, no domingo de Carnaval (23), a advogada e tesoureira do Aliança, Karina Kufa, publicou no Twitter um passo a passo.

“Desfiliação. Como fazer? Envie uma comunicação ao diretório municipal do partido a que está filiado. Ele não precisa concordar, mas só ser informado que não deseja mais vínculo. Leve duas vias e fique com uma com o carimbo de recebimento pelo partido”, postou Kufa.  

MAIOR BANCADA

O PSL era um partido sem tanta representatividade e considerado um partido nanico, porém, em 2018 a sigla se tornou uma superpotência partidária, elegendo a maior bancada na Câmara (ao lado do PT), na onda “bolsonariana”: de quatro deputados pulou para 52. Elegeu, ainda, quatro senadores e três governadores, feito inédito para a sigla fundada há 26 anos pelo empresário e deputado Luciano Bivar (PE).

De acordo com o Estadão, o período em que teve o presidente entre suas fileiras, o PSL aumentou sua base de filiados em quase 50%. Foram, aproximadamente, 113 mil pessoas que ingressaram na sigla entre abril de 2018, mês em que Bolsonaro anunciou sua entrada no partido, até outubro do ano passado, quando o rompimento se tornou público.

A legenda havia chegado ao seu ápice no mês anterior, com 354.387 filiados. Desde então, a curva de adesões, que era crescente, passou a cair. Em janeiro, o número era de 346.648.

O PSL inchou tanto, de nanico, passou a ser uma super potência partidária, resultando no maior montante de dinheiro público de legenda.  

O partido terá quase R$ 300 milhões, a maior quantia entre as 32 legendas atualmente registradas na Justiça Eleitoral.

Após desentendimentos dentro do PSL nacional, o presidente decidiu criar o Aliança Pelo Brasil. A diretoria provisória do Aliança Pelo Brasil está com o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga. Os advogados Karina Kufa e Sérgio Lima estão fazendo parte da organização da sigla.

Apenas os vereadores estão autorizados, pela lei eleitoral, a mudarem de partido.

Pela regra de fidelidade partidária, o parlamentar só pode deixar a sigla pela qual foi eleito se houver justa causa, como expulsão ou perseguição, argumento que o deputado Coronel David está usando. A saída para um partido recém-fundado ainda é motivo de controvérsia na Justiça Eleitoral.