Pressão do MP e decreto 'fake' precipita interdição da rodoviária que não está valendo

Terminal Rodoviário não está interditado.

Fiscalização da prefeitura durante interdição do Terminal Rodoviário. - Foto: Vanderi Tomé/Região News

O clima de preocupação com a pandemia do coronavirus, que em algumas situações beira a paranóia, foram determinantes para a interdição (na teoria) da estação rodoviária de Sidrolândia na tarde desta quinta-feira.

Um ingrediente adicional neste enredo foi um decreto fake do governador Reinaldo Azambuja, que circulou por grupos de whatsapp, prevendo que a partir desta sexta-feira seria proibida por 10 dias a circulação de ônibus interestaduais e intermunicipais nas estradas de Mato Grosso do Sul.

A medida, assinada pelo fiscal de postura, Sidclei Azevedo, sob orientação da diretora da UPA, Cleide Roque, foi desautorizada pelo fiscal da Agepan (agência reguladora do transporte de passageiros) e não teve efeito prático.

Passageiros de ônibus e vans que param na rodoviária continuaram a embarcar e desembargar normalmente. A equipe da Saúde saiu a campo quando a Promotoria ligou para a Secretaria de Saúde cobrando providências para impedir que ficassem na cidade um grupo de vendedores que teriam vindo do Paraguai.

Outro alvo era uma família de venezuelanos com sintomas do coronavirus que teria desembarcado na cidade. Os supostos vendedores não foram encontradas. De fato, uma família de venezuelanos chegou na cidade, mas sem nenhum sinal de enfermidade, moram em Campo Grande e teriam sido orientados pela Assistência Social da Capital a vir a Sidrolândia, onde supostamente encontrariam mais facilidade para conseguir uma passagem de graça (na Prefeitura) para viajarem até Rondônia, onde um mora um filho do casal.

Uma equipe da Secretaria de Assistência Social (de Sidrolândia) garantiu a volta deles a Campo Grande, de onde partem os ônibus para Rondônia.