Sem movimento, empresários do segmento da alimentação começam a demitir funcionários

O toque de recolher das 20 horas até às 4 horas da manhã do dia seguinte, que entra nesta segunda-feira na terceira semana em Sidrolândia, já compromete empregos no segmento de alimentação

Momento de almoço na churrascaria e restaurante Dom Grill - Foto: Vanderi Tomé

O toque de recolher das 20 horas até às 4 horas da manhã do dia seguinte, que entra nesta segunda-feira na terceira semana em Sidrolândia, já compromete empregos no segmento de alimentação, formado basicamente de pequenas empresas. O movimento caiu 70% nos estabelecimentos que funcionam à noite, mesmo com a manutenção do serviço delivery. Acabar com circulação no período noturno faz parte da estratégia recomendada pela Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde de isolamento social para evitar a disseminação da Covid-19.

Um dos mais indignados com a situação, é o empresário Adenir Gnoatto, proprietário da Churrascaria e Restaurante Dom Grill, que chegou a gravar um vídeo e postou nas redes sociais para criticar a medida, parte da estratégia de isolamento recomendada pela Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde para tentar evitar a disseminação da Covid-19. “As restrições não estão valendo pra tudo mundo”, assegura. Ele menciona as aglomerações nos supermercados, além da grande circulação de pessoas pela cidade durante o dia.

Como está sendo obrigado a fechar o restaurante às 20 horas, quando tem alvará pra funcionar até a meia-noite, Adenir já demitiu 10 dos seus 22 empregados. “Fiz uma reunião e aqueles que tem uma situação melhor, moram com os pais, por exemplo, eles próprios tomaram a iniciativa de sair, em favor do colega em situação pior. Meu compromisso com eles é de recontratar todos, quando a situação se normalizar”. No sábado, como gesto de apoio a quem continua trabalhando para atender a população, mandou preparar e entregou 200 marmitex e distribuiu entre policiais, servidores de saúde de serviço, além dos caminhoneiros de passagem pela cidade.

“O forte do meu movimento é à noite. As pessoas ainda estão aprendendo esta cultura de pedir comida fora e comer em casa. Se não enxugasse o quadro, daqui pouco não teria como pagar os salários, impostos, além do aluguel. Adenir acha inviável a ideia fazer um empréstimo para pagar o salário dos funcionários dois meses, linha crédito que ainda não foi aberta. “Os bancos estão reduzindo limites e rejeitando os créditos pré-aprovados.

Quem também já reduziu o quadro foi o empresário Jean Carlos Baba, do Casarão Food House. Para se ajustar o período de queda no faturamento, demitiu 6 dos 10 funcionários, ele próprio substituindo um dos colaboradores demitidos, se desdobrando no gerenciamento e no caixa.

A Casa do Pão de Queijo, um ponto de parada para quem passa por Sidrolândia, teve queda no faturamento, mas por enquanto não enxugou o quadro, mas só metade do pessoal está trabalhando. Um funcionário que estava no período de experiência não teve o contrato renovado e a empresa deu férias para sete colaboradores.
Para evitar aglomeração, a carga horária foi alterada: o funcionário trabalha duas horas a mais que o normal (ao invés de 6h20, tem jornada de 8h20), mas trabalha num dia e folga no outro. Segundo uma das gerentes, Eva Cristina.

O atendimento presencial só vale até às 20 horas e o atendimento passa a ser delivery até 21h30, se houver pedidos. Antes do toque de recolher o atendimento ia até as 23h20. Se a situação atual persistir, quando o pessoal voltar das férias, outo grupo entra de férias. “Estamos confiantes de que com a reabertura de Bonito e do Paraguai, o movimento se normalize, quando então vamos precisar de todos os funcionários. Demissão de pessoal, só em último caso”, comenta a gerente.