Primo de Mandetta, prefeito diz que discurso de Bolsonaro gera incerteza na população

Marcos Trad lembra que taxa de isolamento caiu depois da fala do presidente

Marcos Trad voltou a criticar presidente Jair Bolsonaro - Foto: Valdenir Rezende

O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), voltou a criticar a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contrárias às medidas de isolamento para combater a disseminação do coronavírus. Para o chefe do Executivo da Capital, toda vez que o presidente fala, mais gente circula, e fica mais propícia a contaminação.  

“Essa epidemia aqui dentro de Campo Grande teve duas fazes: uma antes do discurso do presidente (em 24 de março) e outra depois do discurso”, frisou o prefeito na manhã desta quinta-feira (9). “Antes do discurso, 80% estava dentro de casa, éramos o primeiro do ranking. Depois do discurso (a taxa de isolamento) começou a cair, dia dia”, acrescentou.  

O prefeito da Capital, que é primo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), mantém alinhamento com as orientações do ministério. Por causa da divergência de recomendações entre Mandetta e Bolsonaro, nas últimas duas semanas o ministro e o presidente entraram em rota de colisão, e na última segunda-feira, a demissão de Mandetta foi cogitada. “Cheguei a limpar minhas gavetas”, disse o ministro na ocasião.  

Trad diz que votou em Bolsonaro, mas que a postura do presidente está levando incerteza à população. “Toda vez que ele vai ao microfone gera uma polêmica muito grande e incerteza na população. O líder da nação tem que trazer paz, harmonia. Se a opinião dele é minoritária ele não pode existir dizendo ‘eu tenho a caneta’, ‘minha caneta tem tinta’. Isso não é maneira de se governar”, opinou.  

Bolsonaro falou sobre o uso de sua caneta no domingo (5), véspera do dia em que a demissão de Mandetta foi cogitada.  

SUBNOTIFICAÇÃO

Marcos Trad (PSD) também cogitou a hipótese de subnotificação dos casos de coronavírus em Campo Grande. Na quarta-feira, Campo Grande tinha 48  casos confirmados da Covid-19. “Esses números muitas vezes são ilusórios, porque não tem exame para ser feito. Está se fazendo exame só em quem está com os sintomas”, disse.