Sidrolandense que recebeu coração de estudante respira sem ajuda de aparelhos e vai deixar UTI

Emerson Jaime de Lima, 37 anos, sofria de insuficiência cardíaca grave desde 2006.

Emerson Jaime de Lima com equipe médica da Santa Casa - Foto: ASCOM

O sidrolandense, Emerson Jaime de Lima, de 37 anos, paciente cardíaco internado há 86 dias na Santa Casa, estava na fila do transplante de coração desde janeiro. Emerson sofria de insuficiência cardíaca grave desde 2006 e, ao longo desses anos, passou por inúmeros procedimentos cirúrgicos, na tentativa de diminuir a evolução da doença que o impedia de trabalhar e continuar a rotina ao lado da família, sendo o último realizado em dezembro de 2019.

A cirurgia de transplante foi realizada na manhã do último domingo (5) e mobilizou em torno de trinta profissionais no centro cirúrgico do hospital. Enquanto, em uma das salas, era realizada a captação dos órgãos de um paciente que evoluiu para morte encefálica após sofrer traumatismo cranioencefálico grave e a família decidiu pela doação, outros três pacientes eram preparados quase que simultâneamente para receber o coração e os rins doados.

“É um caso grave que poderia nem sair da sala cirúrgica. O paciente superou esta etapa e teve a evolução esperada”. Foi com esta frase que o cirurgião cardiovascular resumiu o primeiro transplante de coração realizado este ano na Santa Casa de Campo Grande. O procedimento marcou a retomada dos transplantes cardíacos na instituição, que não eram realizados desde 2013.

Emrson contava com apenas 10% do órgão ativo, o que é considerado extremamente grave, pois o normal é entre 60% e 70% de atividade cardíaca. “Ele estava usando remédios venosos para ajudar o coração. Todos os órgãos estavam afetados por esse mau funcionamento e ele poderia não resistir muito tempo”, ressaltou o médico responsável por conduzir o transplante.

Os profissionais envolvidos relataram que o receptor já havia sido operado outras vezes para a revascularização do miocárdio, apresentando muitas aderências (cicatrizes), o que dificulta a cirurgia de transplante. O procedimento durou em torno de seis horas e, hoje, o paciente já respira sem a ajuda de aparelhos e se prepara para deixar a Unidade de Terapia Intensiva, nos próximos dias.

Atualmente, outros quatro pacientes, todos de Campo Grande, aguardam na fila do transplante de coração em tratamento clínico, de acordo com dados da Central de Transplantes do Estado de Mato Grosso do Sul. A maior dificuldade para realizar as cirurgias a tempo de salvar vidas tem sido a recusa familiar em doar os órgãos, aponta a Organização de Procura de Órgãos no Estado (OPO).

A equipe da OPO registrou, somente neste ano, de janeiro a março, 35 possíveis doadores de órgãos em MS e, em 23 deles os familiares não autorizaram a doação, uma recusa de 65% dos casos.

“Para mim o transplante é um conflito porque não podemos esquecer nunca que nós perdemos uma vida, neste caso um jovem vítima de um acidente de trânsito. Eu espero que uma hora a ciência evolua com a criação de dispositivos artificiais que venham a substituir plenamente o funcionamento de órgãos vitais. Mas enquanto isso não é possível, contamos com a solidariedade das famílias em salvar vidas”, concluiu o cirurgião cardiovascular Dr. Carlos Ildemar de Campos Barbosa, responsável por conduzir o transplante cardíaco. 

Com informações da ASCOM (Santa Casa).