Prefeitura deve prorrogar quarentena e rediscutir toque de recolher para 22 horas

O secretário Municipal de Saúde, Nélio Paim, defende não só a manutenção do toque de recolher das 20 horas até às 4 horas da manhã do dia seguinte, mas que o prefeito Marcelo Ascoli prorrogue por mais 15 dias.

Prefeito Marcelo Ascoli - Foto: Vanderi Tomé/Região News

O secretário Municipal de Saúde, Nélio Paim, defende não só a manutenção do toque de recolher das 20 horas até às 4 horas da manhã do dia seguinte, mas que o prefeito Marcelo Ascoli prorrogue por mais 15 dias, até o dia 30 de abril, a quarentena em Sidrolândia, iniciada no último dia 24 de março e que pelo decreto em vigor (087) termina na quarta-feira, 15.

Nesta segunda-feira vai se reunir com sua equipe de secretários para uma avaliação do decreto da quarentena. Uma das possibilidades é que Marcelo Ascoli pode, enfim, flexibilizar o toque de recolher (alterando de 20 para 22 horas o início do isolamento social compulsório), para atender os supermercados (que poderiam funcionar até às 21h30) e o setor de alimentação, que tem no movimento noturno, boa parte do seu faturamento.

Na última hora o prefeito decidiu não assinar estas mudanças que já estavam formatadas pela Procuradoria Jurídica. A versão em vigor proíbe a entrada de crianças nos estabelecimentos comerciais e recomenda aos idoso que circulem das 8 das 10 e das 14 às 16 horas.

O possível surgimento do segundo caso de coronavírus na cidade (ainda sob investigação epidemiológica) e o afrouxamento do distanciamento social, com 51% da população circulando, fazendo aglomerações despreocupadamente, acenderam o sinal amarelo para a necessidade de reforçar as medidas de isolamento social.

Quase um mês após o surgimento do primeiro e até único de coronávirus na cidade (notificado dia 17 de março), a cidade ainda não tem estrutura para absorver a demanda de atendimento gerado pelo Covid-19. Os leitos de CTI ainda não estão funcionando, nesta semana está previsto o treinamento dos funcionários do hospital. Também ainda não foram instalados os 10 leitos programados para o atendimento clínico dos pacientes.

No ranking estadual, Sidrolândia, está num grupo intermediário, está em 36º lugar, junto com Nova Andradina e Miranda, com 48,2% de isolamento social. No sábado, véspera do Domingo de Pascoa, filas quilométricas se formaram em frente das lojas que vendem chocolate e ovos da Páscoa. Um fator que pode ter contribuído para esta as pessoas saírem de casa, é o fato de estar proibida a abertura dos supermercados aos domingos.

Na quinta-feira, véspera do feriado da sexta-feira da Paixão, o isolamento social em Sidrolândia foi ainda menor (39%), com 61% da população circulando pela cidade. Foi o sétimo pior índice do Estado, superado apenas pelos de Jardim (36,9%), Amambai (37%), Eldorado (38,1%), Maracaju (38,5%), Naviraí (38,5%), Miranda (38,6%), Nova Andradina (39,8%), Costa Rica (40%) e Paranaíba (40%).

Na sua live diária, neste domingo o secretário de Estadual de Saúde, Geraldo Rezende, mostrou preocupação com o fato de Mato Grosso do Sul ter registrado no sábado o pior índice de isolamento social do País (47,7%, quando a média nacional foi de 52,4%). Mantido este cenário, em duas semanas pode haver uma explosão do número de casos.

“Estamos divulgando os índices para que prefeitos e secretários de saúde tenham de fato a noção, e possam fazer intervenções no sentido de chamar a população ao isolamento social. Quero dizer mais uma vez que aquilo que acontece hoje com relação ao isolamento social, vai estar diretamente ligado ao acréscimo de casos que vão acontecer daqui a duas ou três semanas”, alertou o secretário Geraldo Rezende.

“Este vírus gosta de aglomeração, roda de tereré, festa de aniversário. Tem gente querendo fazer visita aos avós”. Geraldo também explicou que cabe as prefeituras tomar as medidas de restrição, “seguindo as suas respectivas realidades”.

Índice de isolamento –

A taxa de isolamento social é calculada pela In Loco, empresa que trabalha com estudos de geolocalização baseada no monitoramento de dados criptografados de 60 milhões de celulares em todo o Brasil. A informações de deslocamento são extraídas dos dispositivos móveis que usam determinados aplicativos.