Santos completa 108 anos sem festa, em clima eleitoral e com dúvidas sobre o futuro

Única vez que Peixe tinha ficado sem comemoração foi em 1918, durante a gripe espanhola

Santos comemora 108 anos nesta terça-feira - Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

O Santos completa 108 anos nesta terça-feira, dia 14 de abril de 2020, mas não terá festa, quiçá abraços e apertos de mãos em um jantar de gala.

A pandemia do novo coronavírus atrapalhou os planos do Peixe, que é dono de uma das mais bonitas histórias do futebol mundial, mas encara problemas reais alheios à crise que parou o futebol.

Em campo, o momento é bom. Apesar de críticas e de balançadas do técnico Jesualdo Ferreira no cargo, o Santos é o líder de seus grupos no Campeonato Paulista e na Libertadores, com 15 e seis pontos, respectivamente.

Fora das quatro linhas, porém, a situação não é das melhores. O Santos, assim como grande parcela do futebol brasileiro, encara constantes problemas financeiros e a necessidade de resolvê-los o quanto antes.

Mais sobre o Santos:
O que dá certo e o que dá errado ganham ainda mais peso porque, ainda neste ano, será realizada a eleição presidencial para o próximo triênio (de 2021 a 2023).

 
 

Se não bastassem todos os problemas rotineiros de um clube de futebol, o Santos ainda teve canceladas todas as festas que poderia fazer para comemorar seus 108 anos.

Entenda, abaixo, como está o Santos no dia de seu aniversário de 108 anos:

Em campo:

Sob comando do técnico Jesualdo Ferreira, o Santos demorou a engrenar no Campeonato Paulista e na Libertadores. Além disso, o treinador português encara, constantemente, comparações com o antecessor Jorge Sampaoli, dono de um estilo completamente diferente - e não estamos falando de eficiência.

Ainda assim, Jesualdo Ferreira conseguiu se segurar no cargo e fez o Santos mostrar evolução. No Paulistão, a equipe tem 15 pontos em 10 jogos e é a líder do grupo A. Na Libertadores, venceu as duas partidas que disputou, contra Defensa y Justicia, da Argentina, e Delfín, do Equador, e também está na ponta do grupo G, com seis pontos.

Finanças:

O Santos, recentemente, apresentou balanço financeiro de 2019 com superávit de R$ 23,5 milhões. O número, porém, não animou. O "lucro" só foi possível graças à venda do atacante Rodrygo ao Real Madrid por R$ 188,6 milhões, que aconteceu ainda em 2018, mas foi contabilizada em 2019.

O Santos informou ter gasto em 2019 pouco mais de R$ 170 milhões com folha salarial, direitos de imagem e premiações, quase R$ 20 milhões a mais do que previa o orçamento. No documento, o clube justificou os gastos na qualificação do elenco vice-campeão brasileiro.

Na última semana, para aliviar as contas, o Santos chegou a um acordo com os jogadores para reduzir em 30% o salário de maio. O elenco terá 15% de corte no direito de imagem e 15% no valor que é registrado em carteira.

Eleição:

Marcada para o fim de 2020, a eleição presidencial do Santos ainda não tem suas peças sobre a mesa, mas começa a se desenhar. O presidente José Carlos Peres não descarta se candidatar a uma reeleição, mas ainda não está decidido. Os demais candidatos ainda buscam alianças.

Milton Teixeira Filho, da chapa "Santos para Sempre", é o único candidato que já se declarou como tal nas redes sociais. Em sua página no Facebook, o irmão do atual presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Teixeira, tem feito campanha.

Os demais candidatos ainda circulam nos bastidores em busca de apoio. Andres Rueda, que também brigou pela presidência na última eleição, é um dos possíveis adversários de José Carlos Peres, assim como Renato Quaresma e Rodrigo Marino, ex-membros do Comitê de Gestão do clube.
 

Por enquanto, o que resta é a incerteza sobre a data da eleição, já que a pandemia do coronavírus pode atrasá-la.