Após derrota na Câmara, Planalto articula no Senado para alterar socorro a Estados

Objetivo da proposta é reduzir os efeitos na economia da crise do novo coronavírus.

Câmara aprova projeto de socorro a estados e municípios - Foto: Divulgação

Os articuladores políticos do governo trabalham desde segunda-feira (13) à noite junto a senadores governistas para modificar a proposta — aprovada na Câmara dos Deputados — que repõe a estados e municípios perdas com ICMS e ISS.

O objetivo da proposta é reduzir os efeitos na economia da crise do novo coronavírus. Apesar da tentativa de se chegar a um acordo com o governo federal, a proposta levada a plenário não agradou ao Executivo.

Segundo o líder do governo na Casa, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), a equipe econômica não queria vincular a ajuda aos entes federados à queda do recolhimento de ICMS e o ISS. Para o ministro Paulo Guedes, da Economia, a recomposição integral das perdas seria um "cheque em branco" para estados mais ricos.

Agora, o Planalto tentará modificar a proposta no Senado Federal: na linha de frente das negociações estão o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (cotado para relator da proposta); o senador Flavio Bolsonaro; e também o ministro Luiz Eduardo Ramos, da articulação política do Planalto.

Nos bastidores, governistas se queixaram da aprovação da proposta na Câmara e lamentam a falta de diálogo entre Rodrigo Maia, presidente da Casa, e Guedes. No entanto, contam que, durante as articulações, receberam relatos de parlamentares de que Guedes teria feito críticas ao Congresso durante as negociações, temendo o tamanho do impacto no orçamento das medidas defendidas pelos deputados — e que isso também ajudou a contaminar o ambiente. Nas palavras de um interlocutor do governo, Guedes "fez política" e os congressistas não gostaram.

Sobre a possibilidade de vetar o texto, caso o governo não consiga modificar no Senado, auxiliares do presidente avaliaram ao blog que seria um desgaste político muito grande, pois indisporia o presidente Jair Bolsonaro com Estados — em meio a uma pandemia como a do coronavírus.

No entanto, reforçam, a última palavra é sempre do presidente Bolsonaro.

Além disso, se vetar, governistas reconhecem que o presidente terá outro desgaste: a derrubada do veto no Congresso