Mesmo com safra recorde, Sidrolândia perde para Ponta Porã 2º lugar na produção de soja

Embora tenha registrado uma safra recorde, quase 780 mil toneladas, um incremento de 12,19% sobre a do ano passado, empurrada pelo aumento de 3,83% na área plantada e 8,66%

Colheita de soja. - Foto: Arquivo/Região News

Embora tenha registrado uma safra recorde, quase 780 mil toneladas, um incremento de 12,19% sobre a do ano passado, empurrada pelo aumento de 3,83% na área plantada e 8,66% da produção, Sidrolândia perdeu para Ponta Porã, o posto de segundo maior polo de produção de soja de Mato Grosso do Sul conquistado ano passado. O ranking continua sendo liderado por Maracaju.

Conforme o levantamento final da colheita, divulgado pela Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), enquanto Ponta Porã colheu 920.8535,71 toneladas, a produção sidrolandense foi de 778.989,99 toneladas. A cidade fronteiriça recuperou a vice-liderança (perdida em 2019), porque a produtividade subiu de 42,84 sacas por hectare para 57,41, enquanto em média o produtor sidrolandense, obteve 53,95 de média, um aumento de 8,66% sobre as 49,64 sacas da safra passada. Além disso, Ponta Porã teve uma área plantada maior (267 mil hectares, ante os 241 mil hectares de 2018/2019) que a de Sidrolândia (de 231 mil passou para 240 mil, crescimento de 3,83%).

Em 2019 a estiagem provocou quebra na produção pontaporanense e com isto o município perdeu a segunda posição para a Sidrolândia mesmo com maior área plantada (10 mil hectares a mais). Nos últimos três anos a área plantada no município aumentou 30,74% (de 184 para 240 mil hectares), reduzindo a distância em relação ao maior polo de produção, Maracaju (com 315 mil hectares, 64,5 sacas de produtividade e 1,2 milhão de toneladas colhidos) e a vice-líder, Ponta Porã, que em 2017 tinha uma dianteira de 60 mil hectares, diferença que caiu mais da metade, 27 mil hectares. Além disso, estes municípios já chegaram no limite da área cultivável, enquanto Sidrolândia, tem uma margem de incremento, principalmente com o avanço do arrendamento dos mais de 70 mil hectares de lotes da reforma agrária, para o plantio de soja.

De qualquer forma, os produtores de Sidrolândia não tem do que reclamar dos resultados da safra, em que o tempo ajudou (apesar do susto inicial, quando a estiagem atrasou o plantio e muita gente teve de fazer replantio). A área plantada aumentou 3,83% (de 231 para 240 mil hectares); a produtividade foi 8,66% maior (de 49,64 para 53,93 sacas por hectare) e a produção final teve um incremento de 1,4 milhão de sacas, que se fossem comercializadas na cotação de hoje da oleaginosa (R$ 83,00 a saca) daria um faturamento bruto de R$ 117 milhões.

Na prática, por exemplo, pelos cálculos do gerente da unidade local da Coamo, Walmir Ritter, 65% da produção já foi comercializada a um preço médio de R$ 8,00 menor (R$ 75,00) ou até mesmo menor, sobretudo quem fez venda antecipada. Pelas contas do presidente do Sindicato Rural, Paulo Stefanello, para reduzir o risco, parte da produção (em torno de 30%) o agricultor fez contrato com preço pré-fixado (na casa dos R$ 70,00) para custear parte da lavoura. “É preciso fazer um mix, entre financiamento bancário, custeio com recurso próprio e venda com preço pré-fixado”, explica. O custo por hectare varia entre 30 e 40 sacas por hectare, oscilando conforme o investimento que o produtor faz em termos de tecnologia. Quem investe menos, tem produtividade na faixa de 55 a 60 sacas, os mais ousados, atingem o patamar de 80 sacas.

Paulo Stefanello e Walmir Ritter. Foto: Vanderi Tomé

Histórico da área plantada e podução em Sidrolândia

2004 - 85 mil hectares - 178.510 toneladas

2005 - 94.800 hectares - 199.800 toneladas

2006 - 93.000 hectares - 213.900 toneladas

2007 - 95 mil hectares - 269.900 toneladas

2008 - 95 mil hectares - 256.900 toneladas

2009 - 97 mil hectares - 238.620 toneladas

2010 - 115 mil hectares - 345 mil toneladas

2011 - 120 mil hectares - 194.400 toneladas

2012 - 130 mil hectares - 358.000 toneladas

2013 - 142 mil hectares - 361 mil toneladas

2014 -162 mil hectares - 506 mil toneladas

2015 - 1 73 mil hectares - 549 mil toneladas

2016/2017 - 184 mil hectares - 548 mil toneladas

2017/2018 -216.926,24 hectares - 848.094, 61 toneladas

2018/2019 - 231.437,24 - 693.506,85 toneladas

2019/2020 - 240.363,58 – 778.096,99