Presidente da Câmara comenta saída do ministro da Saúde em coletiva

Há duas semanas, Maia havia afirmado que a saída injustificada do ministro traria consequências políticas ao governo

Maia - Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) comentou a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta do governo. Maia elogiou a atuação de Mandetta e afirmou que é uma grande perda. Mandetta sai em um momento de grande desgaste, o que amenizou uma reação de parlamentares contra o governo. Há duas semanas, Maia havia afirmado que a saída injustificada do ministro traria consequências políticas ao governo. Dessa vez, o clima foi mais ameno durante a coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (16/4). 

“Parece nítida a saída do ministro Mandetta, que faz um excelente trabalho, reconhecido de forma majoritária pela a sociedade. Ele mesmo disse que parece que as relações (com Bolsonaro) chegaram a um momento de muita dificuldade. A avaliação que ele fez é que essa relação, como ficou, passaria, daqui pra frente, a não ser uma relação que ajudaria no enfrentamento da crise”, disse.
 
Maia também destacou a importância de uma transição que não atrapalhe o combate ao coronavírus. “Se confirmado, será uma grande perda. Esperamos um nome com a mesma qualidade do ministro mandetta, com experiência na administração pública, e que vá, aos poucos, mudando a equipe. Uma transição de algumas semanas. Certamente, o ministro fará uma transição longa, se conhecemos seu espírito, preocupação e qualidade de trabalho à frente do Ministério da Saúde”, disse.

Contas públicas

 
Maia também falou sobre a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do orçamento de guerra, que abre espaço para que o governo gaste quanto for necessário para combater os efeitos sanitários, sociais e econômicos provocados pela pandemia de coronavírus. Ele defendeu a presença do Banco Central no texto, que os senadores não concordam. “
 
“A proposta do Congresso deveria ser mais ampla. O Banco Central deveria ter condições de comprar título primário. Se isso ocorre apenas no mercado secundário, você garante liquidez. Mas, no meu ponto de vista, temos que olhar o Banco Central atuando com muito poder, como vemos no mercado americano. Em crise, o estado tem que usar tudo para salvar empregos, empresas e vidas. Acho que Câmara e senado tinham que ter sido mais ousados e dado mais poder ao Banco Central”, opinou.
 
Maia disse que o momento é de garantir a vida de empresas e os empregos, mesmo que, para isso, bancos públicos comprem ações e debêntures que não tragam lucros. “Não adianta achar que o Banco Central vai comprar um título em um momento de crise, e vai ter lucro. Não é o papel do Banco Central, nem governo, ter lucro. Se  comprarem de uma debênture primária vai ter prejuízo, mas garantirá 30 mil empregos, vale o prejuízo. Se a empresa foi salva e emprego foram mantidos é o que vale”, ressaltou.