Ex-diretor diz que Palmeiras tem o Mundial "mais difícil de todos" e que brincadeira é "palhaçada"

Alexandre Mattos, agora no Atlético-MG, ainda faz elogios ao presidente Mauricio Galiotte

Alexandre Mattos na festa do título brasileiro de 2018 - Foto: Flávio Florido

Depois de ficar quase cinco anos no comando do futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos, agora no Atlético-MG, não esconde que criou e ainda mantém forte ligação com o clube, com os funcionários e com a torcida do Verdão.

Em entrevista ao canal Fox Sports na última quarta-feira, o diretor do Atlético-MG falou que o seu trabalho em São Paulo mudou o patamar do clube alviverde. Em títulos e até nas provocações.

– Eu escutei da boca do vice-presidente do Palmeiras, o Paulo Buosi. "Mudou tanto o patamar que até as gozações mudaram". Quando eu cheguei em 2015 era negócio de bi-rebaixado e depois mudou para esse negócio do Mundial, que é uma palhaçada – afirmou o dirigente.

– O Palmeiras tem o mais difícil de todos. Ganhar hoje tem tecnologia, vai ganhar em 1951... É difícil. O Palmeiras começou a história do futebol brasileiro ganhando aquele título. O Palmeiras é campeão mundial. Não tem nada pra falar e vai ficar brincando com isso. O palmeirense sente aqui dentro e acabou, não tem essa história - acrescentou. 

Mattos foi demitido por Maurício Galiotte em dezembro, após a derrota palmeirense para o Flamengo na arena. O dirigente, porém, é só elogios ao presidente do Verdão. A única lamentação é sobre a influência da política no departamento de futebol.
 

– Agora que estou fora posso dizer: é inacreditável o que fazem quando querem criticar o Mauricio. Ele é um dos principais presidentes da história. O tempo vai dizer isso. Além de ser um amigo, foi 100% correto. Segurou três meses de pressão. O negócio só desandou quando a política próxima a ele falou que ia tirar apoio e não ia aprovar as contas. A torcida organizada em momento algum levou a sério, até ria disso... Segurou brigas que jamais alguém seguraria. Em 40 anos que o Palmeiras ficou em uma dinastia política, o Maurício peitou e teve consequência – afirmou o dirigente, que elogiou os patrocinadores e conselheiros Leila Pereira e José Roberto Lamacchia.

No ano passado, Alexandre Mattos sofreu com protestos da torcida Mancha Verde. A esposa do dirigente, inclusive, sofreu com intimidações. Hoje, porém, o atleticano vê o assunto como superado.

Ele afirma que chegou a se emocionar com o apoio dos palmeirenses no estádio, em uma resposta aos xingamentos e vaias da principal organizada.

– Quando todo jogo eu era xingado no início, milhares de pessoas, o estádio praticamente todo, vaiava. E o Palmeiras tinha sido eliminado da Libertadores, da Copa do Brasil, o Flamengo virtual campeão brasileiro. Foi uma das poucas vezes que eu chorei no futebol, quando eu vi o apoio que me deram.

Contratado pelo Atlético-MG, Mattos permanece no clube mineiro pelo menos até dezembro de 2021, quando tem contrato com o Galo. Ele não descarta um retorno ao Palmeiras no futuro.

– É um lugar que fui extremamente feliz. O futuro sempre pertence a Deus. É um lugar que eu adoro, um lugar que tenho uma empatia minha muita forte, principalmente com o torcedor. Muita gente perguntava como suportava o linchamento que estavam fazendo. Primeiro, pela família, claro. Principalmente a esposa foi guerreira, tentaram intimidar. Ficou para trás, não tenho mágoa – declarou o diretor de futebol.

– Tive quase 900 mensagens quando vazaram meu telefone. O advogado falou para ver o que tinha de ameaça. Dei meu telefone para um funcionário, ele me chamou dois depois e falou que 91,8% era de apoio... Uma minoria que fez essa situação. Aquilo me comoveu bastante. Hoje posso dizer que torço pelo Palmeiras, fico feliz com tudo o que está acontecendo. O futuro a Deus pertence. Hoje tenho um caminho muito honroso e feliz aqui no Atlético – completou.