"Tinha raiva, ciúmes ou queria ela", afirma pai de Graziele sobre assassino

A jovem estava desaparecida desde 14 de abril e foi encontrada morta neste domingo.

Viatura da Polícia Militar no local em que corpo de Maria Graziele foi encontrado, neste domingo. - Foto: Marcos Maluf

“O meu coração no momento fala que alguém sentia uma raiva dela, ou ciúmes, ou alguém queria ela, e ela não quis”. Esse é o pensamento externado pelo publicitário Stephan Hofmann, pai de Maria Graziele Elias de Souza, de 21 anos, ao ser indagado sobre quem possa ter sido responsável pelo assassinato da jovem.

Com o rosto aparentemente desfigurado, o corpo de Maria Graziele foi jogado no mato, às margens da BR-262, entre a saída de Campo Grande e a de Sidrolândia. Ficou ali por pelo menos 4 dias, até ser achado ontem no fim da manhã, por acaso, por um motorista que ficou sem combustível e parou para buscar sombra perto do lugar. Estava irreconhecível, uma violência absurda para qualquer familiar.

A suspeita de que se trate de feminicídio, presente no imaginário do leitor do Campo Grande News, como mostram os comentários gerados pelas notícias, também ocorreu à família. “É uma das hipóteses, mas não podemos falar 100%”, diz Stephan.

A família identificou o corpo ontem à noite, por meio de uma tatuagem de sereia que Maria Graziele tinha na perna. A identidade já havia sido indicada antes, em razão de o cadáver estar com a mesma blusa com a qual a vítima desapareceu. O Imol (Instituto de Medicina e Odontologia) legal também confirmou a identidade por meio das digitais.


Stephan Hoffoman junto com a filha, Maria Graziele, que foi morta e jogada à beira de rodovia. (Foto: Reprodução Facebook)
Cuidado - De origem suíça, o publicitário Stephan Hoffman é radicado há mais de 20 anos no Brasil, e atua desde sempre em favor dos direitos de crianças e adolescentes, na ong Gira Solidário e na escola de marcenaria Pau Brasil, em Campo Grande.

Diz que, apesar do choque e da dor do momento, é preciso acompanhar o resultado das investigações policiais antes de levantar suspeita sobre alguém.

“Na verdade, nem sabemos quem poderia ser a pessoa”, afirmou, depois de relatar conhecer o artigo que “decide o feminicídio” e citar como uma das “hipóteses”.

Segundo ele, a família está em contato com investigadores da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) e, até ter informações mais precisas, vai atuar com cautela, diante dos fatos.


A mãe da jovem, Sueli Sobrinho, 40 anos, estava muito abalada e por isso a equipe não conversou com ela.

Como foi – Maria Graziele foi vista pela última vez no dia 14 de abril, depois de sair do trabalho, no período da tarde. No dia 16, em reportagem do Campo Grande News, a informação dada pela família é de que no dia 13 de abril, a jovem mandou mensagem para a irmã, pelo WhattsApp, dizendo que iria visitá-la, mas não apareceu.

Na terça-feira (14), ainda como informado no dia, Maria foi até a casa do ex-marido, no bairro Parque do Sol, deixou no local jaleco, roupas e a bolsa com todos os documentos pessoais. Essa informação veio dele, cuja identificação não foi divulgada.

A última visualização no WhatsApp da jovem foi às 16h06 do mesmo dia e, desde então, o telefone deu desligado. O marido, com quem ela havia vivido por oito anos, acompanhou a mãe na delegacia para registrar o desaparecimento.

Na DEH, a informação prestada é de que o caso segue em investigação e ainda não há suspeita. Não existe, também, definição sobre como a jovem foi morta.

Outra desaparecida – A DEH também está responsável pelas buscas por outra mulher desaparecida, Graziela Pinheiro Rubiano, de 36 anos, vista pela última vez em 7 de abril.

O Campo Grande News conversou com amigas dela, perguntou se existe alguma suspeita e elas, sem se identificar, informaram que preferem aguardar as apurações policiais.

A reportagem havia levantado que Graziela teve um relacionamento conturbado com o ex-marido, de quem havia se separado recentemente. A polícia não diz, em nenhum dos casos, se os ex-companheiros são suspeitos.

A reportagem obteve a explicação de que, se for constatado crime de feminicídio os dois casos passará para condução da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Neste ano, a delegacia já registra três casos de feminicídio em Campo Grande - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS