No trânsito, com mortes e mutilações, 84% dos acidentes envolvem motociclistas

Mesmo com o toque de recolher em vigor desde o último dia 20 de março e as medidas para estimular o isolamento social que reduziram a circulação de pessoas e veículos.

Acidente que ocorreu entre dois motociclistas, há dias atrás. - Foto: Vanderi Tomé/Região News

De janeiro a março, dos 26 acidentes, 84%, 22 ocorrências, envolveram motocicletas. Numa das ocorrências, no dia 22 de março, morreu o jovem Pablo Ferreira, de 16 anos. Outro acidente, dia 30 de janeiro, teve como consequência, ferimentos graves em Thiago Paulino de Souza, 28 anos, obrigado a amputar uma das pernas. Nas duas ocorrências, os motociclistas foram vítimas da imprudência dos motoristas que invadiram a preferencial.

No caso mais grave, às 22h20 do último dia 22 de março, em que morreu o jovem Pablo Ferreira, o causador do acidente, foi condutor, F.G., além de dirigir o Corsa placa HRN-1460 sem habilitação, estava embriagado, conforme atestou o teste do bafômetro, além de desrespeitar o toque de recolher (naquele sábado valido a partir das 20 horas).

Mesmo com todos estes agravantes, não ficou nem dois dias presos. Na segunda-feira, dia 24, Francelino foi colocado em liberdade, sem pagar fiança de R$ 10 mil, pois alegou ser de baixa renda.

Teve o carro retido (que deve ser leiloado para pagar parte da fiança). Sua única punição, enquanto o processo tramita, é a proibição de sair de casa no período noturno.

Motociclista perde a vida em grave acidente na Avenida Antero Lemes. Foto:Vanderi Tomé/Região News

Conviver com este cenário de impunidade (consequência de uma legislação frouxa para punir crimes de trânsito) e a dor da perda do único filho de forma trágica, não tem sido fácil para dona Rosangela, mãe de Pablo. “Nada vai trazer ele de volta”.

“Não é fácil”, relata à reportagem com voz embargada, quase engolindo o choro, ao questionada sobre aquela noite fatídica. Foi acordada pelo telefonema da patroa que a comunicou do acidente. Passou horas de aflição na Santa Casa, para onde o filho foi levado em estado grave.

Passou momentos de aflição no hospital, que se transformou em desesperou, por volta das 01h30 da madrugada do domingo, quando os médicos informaram do estado grave de Pablo, que teve uma parada cardíaca e foi reanimado. Acabou morrendo por volta das 4 horas, quando não resistiu a uma segunda parada.

“Ele era um garoto diferente. Estudioso, trabalhador, que tinha planos de ser alguém na vida. Desde os 10 anos foi criado sem pai, que morreu de câncer. Era meu companheiro. Estudava de manhã no Sidrônio, onde fazia o terceiro ano do Ensino Médio. A tarde me ajudava em casa e noite trabalhava. Sempre ia de bicicleta para o serviço. Desde fevereiro não usava a motocicleta, que na segunda-feira levaria para a Campo Grande, onde seria vendida”, lembra.

Perna amputada

O acidente mudou a vida de Thiago Paulino de Souza Lopes, de 28 anos, foi no último dia 30 de janeiro. O jovem havia acabado de deixar a namorada no trabalho e quando voltava para casa se envolveu no acidente. A mãe de Thiago, Márcia Paulino, disse que a rotina dele era chegar em casa do trabalho e levar a namorada no trabalho dela.

Thiago Paulino durante internação em Campo Grande. Foto: Arquivo Pessoal

“Fazia isso todos os dias”. O acidente aconteceu por volta das 6h30min no cruzamento da Avenida Dorvalino dos Santos com a Rua Pernambuco, no centro de Sidrolândia.

Thiago conduzia sua motocicleta pela Avenida Dorvalino dos Santos, quando um Fiat Uno teria avançado a preferencial e batido na lateral da motocicleta, acertando em cheio a perna de Thiago, causando fratura exposta.