Educação afasta diretora de escola João Batista para apurar desvio de cestas

A suspeita do desvio de cestas básicas foi levantada pela própria secretária de educação que ligou para todas as mães.

Escola Municipal João Batista, no núcleo Che Guevara do Assentamento Alambari. - Foto: Vanderi Tomé/Região News

A diretora da Escola Municipal João Batista, no núcleo Che Guevara do Assentamento Alambari, foi afastada do cargo por 30 dias, para que a Secretária Municipal de Educação apure a denúncia do desvio de parte das 26 cestas básicas entregues na escola dia 23 de março para serem distribuídas entre alunos com problemas nutricionais. A professora Jocabede de Souza Siqueira, que estava no cargo desde 2017, foi substituída no último dia 22 pela coordenadora escolar Rosa Aparecida dos Santos.

Além desta denúncia referente ao desvio de cestas básicas, no último dia 22 a secretária Alice Aparecida Rosa Gomes, informou a Procuradoria Jurídica da Prefeitura que abriu processo administrativo contra a diretora afastada, para apurar o sumiço de 80 quilos de frango entregues na escola dia 17 de março. 

O suprimento seria usado na preparação da merenda nas semanas seguintes. Com a suspensão das aulas no dia seguinte, 18 de março, por causa do Covid-19, toda a merenda em estoque nas escolas rurais foi recolhida para a cozinha piloto. Do que foi entregue na Escola João Batista, faltou justamente a carga de frango.

A suspeita do desvio de cestas básicas foi levantada pela própria secretária de educação que ligou para todas as mães dos alunos beneficiados para saber se tinham recebido e gostado dos itens da cesta.

Para surpresa da secretária, algumas mães, como dona Simone Pereira, garantiram que não tinham sido contempladas e provavelmente, quem ficou com a cesta, falsificou a assinatura delas para atestar o recebimento.

No último dia 17, dona Simone e outros três vizinhos, que também não ganharam cesta e suas assinaturas foram falsificadas para atestar o recebimento, encaminharam denúncia ao Ministério Público, cobrando investigação. Também endossaram a acusação, Antônio Silva, Ilza Maria de Oliveira e Maria Iranilde da Silva, pais de alunos da Escola João Batista. A promotora Clarissa Carlotto cobrou providências da secretária de Educação, que encaminhou toda a documentação sobre as medidas já adotadas.

Na denúncia que levaram ao Ministério Público, os pais garantem que as cestas teriam sido desviadas para familiares da diretora e acusam um pré-candidato a vereador residente na região, de estar fazendo uso político da distribuição.

As cestas básicas foram entregues mês passado, com itens da merenda escolar, como forma de garantir aos alunos das escolas municipais, que enfrentam problemas nutricionais, um reforço na alimentação enquanto estão fora das salas de aula. Muitas crianças, tem na merenda, a principal refeição do dia e seus pais, dependem do bolsa família para complementar a renda.