Flexibilização da quarentena não muda isolamento social em Sidrolândia estabilizado abaixo de 50%

O que está gerando muita aglomeração é a procura pelo auxilio emergencial de R$ 600, que diariamente tem lotado a Caixa.

O que está gerando muita aglomeração é a procura pelo auxilio emergencial de R$ 600,00, que diariamente tem lotado - Foto: Marco Tomé/Região News

A flexibilização ainda maior da quarentena, com a liberação das manifestações religiosas em espaços fechados e o retardamento do toque de recolher (que ao invés das 20 horas agora começa às 22 horas), não trouxe grande impacto sobre o índice de isolamento social em Sidrolândia. Enquanto a média estadual no sábado ficou em 56,1%, a cidade registrou 55,8%.

O que está gerando muita aglomeração é a procura pelo auxilio emergencial de R$ 600,00, que diariamente tem lotado a agência Caixa Econômica, atraindo principalmente moradores da zona rural. Nesta segunda-feira, quando começa o pagamento dos aposentados, a expectativa é que haja filas quilométricas em frente das agências.

No domingo passado, dia 26 de abril, 56,10% da população ficou em casa; na sexta-feira, feriado do Dia do Trabalho, o índice caiu para 42,90%, ou seja, quase 58% da população circulou pela cidade. Curiosamente, no sábado, quando o comércio funcionou normalmente, o isolamento social subiu a 55,8%.

Por enquanto, a cidade continua apenas com um registro de Covid-19, o da enfermeira Tatiane Nantes, que contraiu a doença na Europa, ficou 3 semanas em quarentena, mas se recuperou. Três casos foram descartados e uma mulher está em quarentena domiciliar, após ser atendida no Hospital Elmiria Silvério Barbosa, na terça-feira, com febre, dor no corpo e dificuldades respiratórias.

Balanço estadual

Um dos 62 casos em investigação em Mato Grosso do Sul, é de homem de 66 anos, morador da cidade. Ele está internado no Hospital Regional, em Campo Grande. O isolamento social permanece estagnado em Mato Grosso do Sul e não atinge a média de 70% recomendada por autoridades mundiais de saúde, considerada ideal para reduzir o contágio pelo novo coronavírus. A adesão ao distanciamento social em Mato Grosso do Sul no sábado (2) foi de 56,1%, o terceiro pior resultado no ranking nacional.

A movimentação observada nos municípios do Estado só faz aumentar a possibilidade de interiorização dos casos. No boletim epidemiológico apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) neste domingo (3.5), Vicentina confirmou o primeiro caso na cidade e passou a integrar o mapa da Covid-19 que já atinge 22 municípios sul-mato-grossenses.  

Detentora de 52,4% do total de casos e três, dos 10 óbitos registrados, Campo Grande atingiu distanciamento de 53,2% no sábado. O monitoramento nas regiões da Capital, indica que as maiores movimentações ocorreram nos seguintes bairros: Rita Vieira (23,1%), São Bento (27,9%), Cabreúva (29,8%), Jardim Tarumã (35,7%) e Centro (36,1%).

Na lista de cidades mais movimentadas na última atualização do monitoramento por geolocalização da In Loco estão: Jardim (44,1%), Ribas do Rio Pardo (45,3%), Bandeirantes (49,2%), Campo Grande (53,2%), Camapuã (53,3%) e Três Lagoas (53,6%).

Neste sábado diversas cidades mapeadas atingiram o índice recomendado: Ladário (86,6%), Itaporã (83,5%), Terenos (79,5%), Glória de Dourados (79,2%), Bela Vista (79,2%), Ponta Porã (76,4%), Selvíria (75,3%), Antônio João (74,3%), Nioaque (74,2%), Guia Lopes da Laguna (74,2%), Chapadão do Sul (73,5%), Sonora (73,2%), Batayporã (73%), Cassilândia (70,9%) e Rio Verde de Mato Grosso (70,5%).

Apesar dos bons índices em diversas cidades, a Secretaria Estadual da Saúde orça que o uso frequente de máscaras e a taxa acima de 60% de isolamento social também nos dias de semana, são fundamentais para enfraquecer o vírus em Mato Grosso do Sul.

Coronavírus em números

Boletim epidemiológico consolidado até as 10h deste domingo (3.5) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) apresenta seis novos infectados e mais uma morte em decorrência da Covid-19. Com a atualização, Mato Grosso do Sul passa a contabilizar de maneira macro, 272 casos confirmados e 10 óbitos. Há 62 casos em investigação, aguardando liberação de exames pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). 

A 10ª vítima do novo coronavírus (Covid-19) em Mato Grosso do Sul foi o dentista Patrocínio Magno Portocarrero Naveira, 74 anos. Ele estava internado há mais de um mês em um hospital da rede particular e faleceu neste domingo (3). De acordo com a cunhada dele, quando a doença atinge um nome conhecido deixa de ser apenas mais um número.

Magno Portocarrero, nasceu em Bela Vista, e atuava há mais 42 anos como dentista em Campo Grande. De acordo com a família, ele estava internado há 38 dias, a esposa Laís Nazareth Naveira, também contraiu a doença, ficou internada, mas já está recuperada.

De acordo com a cunhada, a escritora Raquel Naveira, Magno estava clinicando antes de ser acometido pela doença. “Nós não sabemos onde ele pegou a Covid-19, se foi no consultório, não dá para saber. Ninguém sabe muito sobre o vírus, é um inimigo invisível. A esposa dele também teve coronavírus, mas já está recuperada”.