Chuva traz alívio a produtor, mas não vai evitar queda no milho precoce, calcula Sindicato

No plano estadual a estiagem poderá reduzir em até 28% a estimativa de produção do milho safrinha em Mato Grosso do Sul.

Presidente do Sindicato Rural, Paulo Stefanello. - Foto: Vanderi Tomé/Região News

Os produtores sidrolandenses estão aliviados com as chuvas dos últimos dias, que acumularam mais de 120 milímetros, após quase um mês de estiagem e antes disso, algumas chuvas esparsas (40 milímetros dia 14 de abril e 10 milímetros dia 5 de maio). Mesmo assim, o Sindicato Rural projeta uma quebra de 8,99% na produção. Por esta conta, deixarão de ser produzidos 1.491,750 sacas de 60 quilos, que se fossem comercializadas ao preço hoje (R$ 51,91) renderiam um faturamento bruto de quase R$ 75.944.992,50 milhões.

Confirmado este prognóstico, ao invés de produzir 1.675.000 (mais de 1,6 milhão toneladas), o município vai produzir 1,505 milhão de toneladas, ainda sim colheita maior que da safra passada, quando a produção chegou a 1.085 milhão de toneladas, com 96,8 sacas de produtividade numa área plantada de 182 mil hectares. A safra atual teve um incremento de área plantada (subiu para 195 mil hectares), mas uma estimativa de produtividade menor, 85 sacas por hectare. 

No plano estadual a estiagem poderá reduzir em até 28% a estimativa de produção do milho safrinha em Mato Grosso do Sul onde foram plantados 1,97 milhão de hectares. A estimativa é da consultoria Safras & Mercado que divulgou boletim baixando também a previsão de produção para a segunda safra de milho 2019/20 do Brasil para 69,56 milhões de toneladas, ante 73,8 milhões de toneladas estimados em levantamento anterior, devido à falta de chuvas.

Em relação ao desempenho do ciclo de 2018/19, a nova projeção para a safrinha de milho representa queda de 6,5%. Com a revisão, a perspectiva de produção total de milho do Brasil nesta temporada também baixou, para 101,5 milhões de toneladas, ante projeção anterior de 105,7 milhões de toneladas.

A perspectiva atual para a produção total do grão também é 5,5% menor que as 107,375 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.

“Houve um corte significativo em relação à estimativa divulgada em março, por conta da estiagem que trouxe quebras para a safrinha de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo”, disse o consultor da Safras & Mercado Paulo Molinari, em nota.

Segundo ele, a produção do cereal no Paraná deve cair mais de 27% frente ao ano passado, a de Mato Grosso do Sul quase 28% e a de São Paulo acima de 19%. “A queda será compensada pela produção maior em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais”, estimou.

Molinari destacou que houve uma alta de 1,7% na área a ser plantada na safrinha, para 12,460 milhões de hectares ante os 12,257 milhões de hectares da segunda safra 2018/19, mas o recuo na produtividade impediu o avanço da produção.

“A produtividade média tende a ser menor frente aos 6.072 quilos por hectare colhidos no ano passado, ficando em 5.582 quilos por hectare”, afirmou.