Presos em ação contra pornografia infantil acessavam conteúdo ao menos 3h por semana, diz polícia

Perícia apontou ao menos 50 GB de material ilícito em avaliação preliminar. Delegada de MS ressalta que crime é grave e "fomenta mercado bilionário".

Polícia apreendeu celulares, computadores e outros objetos ao cumprir mandados em MS — - Foto: Ariovaldo Dantas/TV Morena

A Polícia Civil, 24 horas após deflagrar uma operação contra a pornografia infantil em Campo Grande e mais três cidades do estado, disse que todos os quatro presos confessaram o crime. Eles prestaram depoimento e a investigação da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e o Adolescente (Depca) aponta que os suspeitos dedicavam, às escondidas, ao menos três horas por semana acessando, baixando e compartilhando material ilícito na deep web.

"Nós encaminhamos toda a documentação para o juiz e eles passam por audiência de custódia, que está ocorrendo por videoconferência. Todos eles confessaram os crimes e constatamos, até o momento, ao menos 30 giga de material na capital e mais 20 no interior. No entanto, este número pode ser ainda maior porque é uma avaliação preliminar", afirmou ao G1 a delegada Marília de Brito, responsável pelas investigações.

Conforme a delegada, somente o relatório da perícia criminal, é que dará um número definitivo após análise nos aparelhos apreendidos na casa dos suspeitos. "Eles comentaram que faziam isso há muito tempo, foram acumulando. Quem acessa este tipo de conteúdo está fomentando um mercado bilionário, com imagens de crianças e adolescentes sendo vítimas de estupro. É como o próprio crime de estupro de vulnerável, é algo escondido", explicou Brito.

Ainda segundo a delegada, a tendência de muitas pessoas é "minimizar este tipo de crime", dizendo: "É só pornografia". No entanto, se trata de um crime muito grave. "A investigação é exigente, difícil e estamos falando de algo que precisa ser combatido. Muitas vezes são homens casados e com filhos, fazem isso sem a mulher saber, por exemplo", disse.

Os envolvidos devem responder pelos artigos 241 A e B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que se referem a possuir, armazenar, disponibilizar, compartilhar e entregar este tipo de material ilícito. Entre eles, está um professor de 35 anos, que atua em uma escola particular da capital sul-mato-grossense.

"Todos os seis mandados foram cumpridos e os quatro presos autuados em flagrante pela prática do crime. Nos outros dois casos, as buscas foram feitas e a ocorrência policial foi registrada para a instauração do inquérito", finalizou.