Defesa de ex-comandante preso diz que ele pediu transferência de policiais corruptos

O depoimento do coronel Jidevaldo de Souza Lima ocorreu hoje na sede do Gaeco em Campo Grande.

Coronel da Polícia Militar preso pelo Gaeco. - Vanderi Tomé/Região News

Preso há duas semanas, junto com outros policiais militares, alvos da quinta fase da Oiketicus, o tenente-coronel Jidevaldo de Souza Lima comandante da PM em Sidrolândia de setembro de 2017 a maio de 2018, ao depor nesta sexta-feira no Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), apresentou como prova de sua inocência, cópia de um ofício datado de janeiro de 2018, no qual pede a transferência de policiais suspeitos com o envolvimento com contrabandistas de cigarro.

“A gente realmente acredita que existe alguém em Sidrolândia [envolvida com a Máfia dos Cigarros], interceptações [telefônicas] identificaram, mas essa pessoa não é ele. Ele atuou contra”, afirmou o advogado Thiago Bunning Mendes que defende o oficial. 

Segundo o advogado, o tenente-coronel Jidevaldo de Souza Lima está tranquilo, certo de que provará nenhum envolvimento com a Máfia do Cigarros. Segundo o defensor, o nome de Souza Lima é o que menos aparece em meio às acusações contra os oficiais. O defensor disse ainda, ao deixar a sede do Gaeco, que o cliente “deu todos os esclarecimentos”.

“Não há nenhuma acusação nova contra ele. Agora, vamos passar às tentativas de revogar a prisão”. Além de ser alvo da operação no dia 15, o tenente-coronel foi condenado em 2009 por três anos e dez meses de reclusão pelos crimes de peculato e prevaricação.

A acusação era de que, quando atuava em Amambai, desviava combustível de viaturas para carros particulare. Jidevaldo de Souza Lima estava na chefia da 4ª Seção do Estado-Maior, que coordena assuntos relativos à gestão e projetos e captação de recursos da PM, e foi exonerado do cargo no dia 18 de maio. Ele está preso no Presídio Militar Estadual, no Complexo Penal de Campo Grande e foi levado sob escolta para depor na tarde de hoje.

Fases

Na primeira fase da Oiketicus, realizada em 16 de maio de 2018, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva contra policiais, sendo três oficiais, e 45 mandados de busca e apreensão. O saldo total foi de 21 prisões porque um sargento acabou preso em flagrante.

Localidades

A ação foi em 16 localidades: Campo Grande, Dourados, Jardim, Bela Vista, Bonito, Naviraí, Maracaju, Três Lagoas, Brasilândia, Mundo Novo, Nova Andradina, Boqueirão (distrito), Japorã, Guia Lopes, Ponta Porã e Corumbá.

Segundo a investigação, policiais recebiam de R$ 2 mil por mês a R$ 100 mil por mês para deixar cargas de cigarros contrabandeados transitarem livremente.

A segunda etapa aconteceu no dia 23 de maio de 2018, com mandado de busca e apreensão na casa e escritório de então servidor do TCE (Tribunal de Contas do Estado).

A terceira fase foi em 13 de junho, quando mais oito policiais foram presos.

No dia primeiro de novembro de 2018, a quarta etapa prendeu um tenente-coronel e um sargento.

A quinta fase chegou às mais altas patentes da PM e teve como alvos o coronel Kleber Haddad Lane, os tenentes-coronéis Carlos Lima, Josafá Pereira Dominoni, Erivaldo José Duarte Alves, que até dezembro comandava a 8ª Companhia Independente de Sidrolândia e Wesley Freire de Araújo, além de Souza Lima e do major Luiz César de Souza Herculano. Também tiveram a prisão preventiva decretada outros cinco policiais que também trabalhavam nas cidades.